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Artists to Watch

Ragie Ban ganha impulso global após o breakthrough de 'Toxic' e demanda crescente por turnês internacionais

Após alcançar No.1 no Beatport com Chris Lake e primeira headline tour nos EUA, produtor brasileiro segue ampliando seu momentum global

  • Nina Sofia
  • 19 March 2026

O Brasil continua moldando o ritmo global da música eletrônica, e Ragie Ban é um dos jovens produtores que ajudam a levar esse movimento adiante.

Aos 22 anos, o artista brasileiro conquistou atenção rápida no cenário da house music graças à sua mistura guiada pelo groove entre tech house, minimal e deep house.

Suas produções carregam uma identidade marcante que equilibra graves densos com energia de pista - combinação que já recebeu suporte de nomes como Chris Lake, Mochakk, Cloonee, Michael Bibi e Vintage Culture.

Um momento decisivo chegou em 2025, quando Ragie Ban uniu forças com Chris Lake na faixa “Toxic”, lançada pela Black Book Records.

O lançamento alcançou a posição número um no chart geral do Beatport e apresentou seu som a um público global muito mais amplo.

Desde então, sessões intensas de estúdio, turnês internacionais e novas colaborações aceleram a trajetória de um produtor cuja música já ressoa entre DJs e fãs ao redor do mundo.

Em talks com Mixmag Brazil para a série Artists to Watch, Ragie Ban reflete sobre a evolução do seu som, a influência da cultura musical brasileira e os marcos que moldam sua carreira em rápida ascensão.

Uma fase criativa impulsionada pelo momentum

O período após o sucesso de “Toxic” trouxe um novo nível de foco dentro do estúdio.

Em vez de repetir a fórmula que levou ao topo do Beatport, Ragie Ban aproveitou o momento para refinar seu processo criativo e explorar novas ideias.

“Depois de ‘Toxic’, muitas portas se abriram e passei a dedicar muito mais tempo no estúdio tentando levar meu som adiante enquanto mantenho a identidade que as pessoas reconhecem”, explica.

Um dos próximos capítulos chega com a colaboração “I Don’t Want To”, criada ao lado do produtor americano AYYBO. A faixa reflete o equilíbrio que Ragie busca em suas produções.

“AYYBO tem uma energia muito única e tudo fluiu de forma muito natural quando começamos a trabalhar juntos. A música tem um groove forte para a pista e também um vocal que fica na cabeça”, conta.

Para Ragie, o objetivo permanece claro. Ele busca criar faixas que funcionem para DJs e que também deixem uma impressão duradoura nos ouvintes muito depois do fim da noite.

O Brasil presente no groove

Mesmo com sua carreira se expandindo internacionalmente, a influência rítmica do Brasil continua moldando a identidade musical de Ragie Ban.

“O Brasil está sempre presente na minha música. Mesmo quando estou fazendo house ou minimal, quase sempre existe um sentimento brasileiro em algum lugar do groove”, explica.

Crescer cercado por samba, funk e pela cultura do baile fez com que o ritmo se tornasse um elemento natural no seu estilo de produção.

Essa influência costuma aparecer de forma sutil no swing do groove, mais do que por referências estilísticas diretas.

Além do ritmo, Ragie também destaca a intensidade emocional que artistas brasileiros levam para a música.

“Quando a gente toca ou produz, queremos que as pessoas sintam algo, não apenas dancem.”

Nos últimos anos, o Brasil revelou uma onda crescente de artistas eletrônicos com reconhecimento internacional. Ragie Ban se vê como parte desse movimento cultural mais amplo.

“Existe uma onda incrível de artistas brasileiros levando as coisas para o mundo agora. Fazer parte desse momento me deixa muito orgulhoso.”

O ponto de virada

Embora Ragie Ban já estivesse construindo momentum com lançamentos anteriores, a colaboração com Chris Lake marcou uma mudança clara na escala de sua carreira.

“Sim, com certeza pareceu um grande ponto de virada. Antes de lançar ‘Toxic’, eu também comecei a trabalhar com meu atual manager, Matic (Mac) Rogan, que me ajudou muito com o lançamento e me guiou durante todo o processo para fazer as coisas acontecerem”, explica.

“Externamente, tudo começou a acontecer muito mais rápido depois de ‘Toxic’. Mais pessoas descobriram minha música, mais DJs começaram a tocar minhas faixas e oportunidades começaram a surgir de lugares que antes eu apenas imaginava”, relembra.

O sucesso também trouxe um forte senso de validação interna após anos de trabalho em estúdio.

“Quando você passa anos produzindo música, às vezes se pergunta se está no caminho certo. Ver ‘Toxic’ chegar ao número um no Beatport com alguém como Chris Lake me deu muita confiança.”

Aprendendo com a pista global

Outro marco importante chegou com a primeira headline tour de Ragie Ban pelos Estados Unidos.

Tocar em diferentes cidades permitiu observar como públicos de regiões distintas respondem ao seu som.

“A energia muda de cidade para cidade, mas a conexão através do groove parece universal”, diz.

Seja em São Paulo, Miami ou Los Angeles, Ragie percebeu que a música certa gera reações semelhantes em pistas ao redor do mundo.

“O groove conecta as pessoas em qualquer lugar.”

A experiência reforçou sua visão de longo prazo de construir uma carreira internacional baseada em turnês e em um fluxo constante de novos lançamentos.

Autenticidade como princípio

O suporte de artistas como Chris Lake, Mochakk, Cloonee e Michael Bibi teve um papel importante na amplificação do trabalho de Ragie Ban.

Ainda assim, ele vê esse reconhecimento como consequência natural de seguir seus próprios instintos musicais.

“O suporte significa muito e me motiva. Ao mesmo tempo, acredito que ele aconteceu porque foquei em fazer a música em que eu realmente acredito.”

Sua filosofia permanece baseada em um princípio simples que continua guiando seu processo criativo.

“Se o groove soa natural e conecta com as pessoas na pista, então sei que estou indo na direção certa.”

Com novos lançamentos a caminho e uma presença internacional em crescimento nas turnês, Ragie Ban entra em um novo capítulo de sua carreira.

O produtor brasileiro representa uma nova geração de artistas que levam a influência rítmica do país para pistas de dança ao redor do mundo.

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Imagens: Divulgação

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