Cover Story
From House to Disco: duas perspectivas, um mesmo pulso
O encontro entre escutas distintas que resultou em um dos projetos mais consistentes da nova geração da música eletrônica brasileira
Mais do que um duo, From House to Disco é o encontro de duas escutas formadas em tempos, espaços e silêncios diferentes, mas unidas por uma mesma obsessão: a pista como linguagem viva.
A relação da Livia com a música começa cedo, na sala de casa, folheando mentalmente a coleção de discos da mãe: Depeche Mode, New Order, Pet Shop Boys, referências que não apenas moldaram seu ouvido, mas sedimentaram uma sensibilidade pop, melódica e emocional que atravessa gerações.
Já Bruna, criança mais introspectiva, encontrou abrigo nas madrugadas guiadas pelo rádio, absorvendo ritmos, grooves e atmosferas até se deparar com uma figura-chave: DJ Marky, cuja precisão e musicalidade abriram uma porta definitiva para o universo da música eletrônica. É desse contraste que nasce o From House to Disco.
Originárias de São Paulo, Bruna e Livia constroem, há quase uma década, uma trajetória marcada por coerência estética e liberdade criativa. Seu som dançante, elegante e profundamente consciente, flui entre house e disco sem nostalgia vazia ou apego a rótulos, equilibrando memória e frescor com naturalidade rara. Cada set funciona como um percurso pensado, fruto de curadoria atenta e pesquisa profunda, onde o oldschool dialoga com o agora, e a pista responde sem esforço.
Essa abordagem as levou a ocupar alguns dos espaços mais relevantes da cena brasileira, especialmente no eixo Rio-São Paulo, passando por festas e festivais como Selvagem, Gop Tun, Festa Rara, Time Warp, DGTL, Tomorrowland Brasil, D-Edge, Piknic Electronik, Lollapalooza e Glitterbox. No caminho, dividiram line-ups com nomes como Kerri Chandler, Cinthie, Danny Daze, Mall Grab, Krystal Klear, Kettama, Avalon Emerson e Roman Flügel, ampliando ainda mais o alcance e a maturidade de sua leitura de pista.
Fora do país, a assinatura do duo também encontrou ressonância em pistas europeias como o Amsterdam Dance Event e o Drop Dance Society, em Amsterdã, além de palcos emblemáticos em Lisboa, como Rock in Rio e MusicBox. No estúdio, essa mesma personalidade se traduz em lançamentos consistentes por selos de peso como Razor-N-Tape, referência global no disco e house, Basement Discos, Definitive Recordings - hoje sediada em Berlim sob gestão da Get Physical, além de Massa Records (de Renato Cohen), Cocada Music (de Leo Janeiro) e U’re Guay Records, na cena latino-americana.
Com uma compreensão aguçada da dinâmica da pista sob múltiplas perspectivas e uma presença fluida, carismática e segura, From House To Disco ocupa hoje um espaço singular entre os talentos emergentes do país. Falamos com Bruna e Lívia em um momento simbólico: após o lançamento do remix de ‘Garota Sangue Bom’ pela Universal Music, clássico de Fernanda Abreu, o duo encerra 2025 com os pés firmes no presente e um horizonte amplo, repleto de novas possibilidades, apontando com clareza para um 2026 ainda mais expansivo.
Q+A: From House to Disco
Como a música entrou na vida de vocês, não apenas como interesse artístico, mas como um espaço de pertencimento, refúgio e construção de identidade?
Livia: A música sempre foi muito presente na minha vida. Meus pais se separaram cedo, cada um seguiu seu caminho e construiu uma nova família, e eu cresci com essa sensação de estar um pouco à parte. De certa forma, a música acabou ocupando esse espaço, no sentido de companhia, que mais tarde virou descoberta.
Eu lembro de ser muito pequena e passar horas sentada no chão da sala, ouvindo os discos da minha mãe. Muitas vezes era fim de semana, aquele momento em que meu pai não vinha me buscar, eu ficava triste, claro, e a música era o lugar onde eu encontrava conforto e me distraía.
Sou grata, de certa forma, por tudo isso, porque a música teve um papel essencial na construção da minha identidade, inclusive como mulher gay, quando eu ainda nem sabia nomear o que isso significava. Lembro do quanto fiquei mexida com o The Girlie Show, da Madonna, na TV. Acho que foi 1992, eu era muito nova, tinha quatro, cinco anos, não sabia nomear nada daquilo, mas algo ali fez todo sentido, deu um click, sabe? Não era sobre ser artista, cantar ou estar no palco.
Era sobre presença, liberdade, corpos se beijando, bailarinos se expressando sem medo. Aquilo me atravessou profundamente. Naquele momento eu entendi que a música era um lugar onde as pessoas podiam ser livres. E isso ficou comigo para sempre. A música virou esse território de liberdade, de reconhecimento, de possibilidade de existir sem pedir permissão. É daí que vem a minha ligação com ela, antes de qualquer outra coisa.
Bruna: Eu sempre fui uma criança muito tímida, muito introspectiva. E a música era exatamente o lugar onde eu me permitia sonhar, criar, imaginar quem eu poderia ser. Era ali que eu ensaiava outras versões de mim mesma, longe do olhar dos outros.
Eu sempre tive um sono muito leve, então acabava passando muito tempo acordada de madrugada. E foi nesse horário que a música eletrônica entrou na minha vida. Eu dormia ouvindo programas de rádio, como o Marky fazendo o “terremoto” na Energia 97fm , ou ficava assistindo MTV no quarto do meu irmão, quando passavam clipes de música eletrônica tarde da noite.
A minha relação com a música vem muito desse lugar de identificação. Eu encontrava nela alguém que eu queria ser, uma energia que me ajudava a sair desse estado de timidez. A música funcionava como um refúgio, mas também como uma projeção, um espaço onde eu podia existir de forma mais expansiva, mais segura.
Ela sempre esteve presente na minha vida, não como pano de fundo, mas como um ambiente onde eu podia me construir aos poucos, no meu tempo. Acho que, no fim, foi isso: a música como abrigo, mas também como possibilidade.
Vocês se conheceram pela música, mas não de forma imediata. Como esse encontro foi acontecendo aos poucos, entre coincidências, afinidades e caminhos que já se cruzavam antes mesmo de vocês perceberem?
A gente frequentava o mesmo grupo de amigos, mas o mais curioso é que eu e a Bruna já tínhamos estado nos mesmos lugares muitas vezes antes de nos conhecermos de verdade. Quando começamos a conversar, era sempre assim: alguém mencionava uma festa ou um show como Skol Beats, Clash, Glória, Vegas, D-EDGE e vinha a surpresa de perceber que as duas tinham estado lá na mesma noite.
Eram rolês muito específicos da cena eletrônica, então ficou claro que nossos caminhos já se cruzavam há um tempo. Quando a amizade começou, a música virou imediatamente o centro. A gente trocava referências, falava de DJs, bandas, shows. Tudo sempre flui de forma muito natural.
Com o tempo, essa afinidade foi ficando maior. A admiração virou curiosidade, a curiosidade virou envolvimento. Foi intenso desde o início, mesmo com a Bruna morando em Curitiba por um período e a gente vivendo um namoro à distância. Naquela época, ainda não existia From House to Disco, eram dois caminhos paralelos. O duo veio três anos depois, como consequência natural de uma conexão que já estava formada.
“Essa lógica binária entre underground e mainstream fragmenta a cena e simplifica demais algo que, na prática, tem um espectro muito mais rico e diverso.”
As referências musicais de vocês vêm de lugares diferentes. Como essas formações distintas se encontraram e passaram a dialogar dentro do som do From House to Disco?
Bruna: Falando das referências, a minha formação veio muito da pista e do trabalho em clubes. Antes de tocar, eu trabalhei em bar, em produção, e sempre escolhia estar nos lugares onde eu realmente gostava do som.
Então eu ia para a Clash, para festivais como o Nokia Trends, para festas onde a música eletrônica tinha mais peso. Era a forma que eu encontrava de estar presente quando não tinha dinheiro pra isso.
Isso acabou moldando bastante o meu ouvido. A minha base sempre foi um eletrônico mais minimal, mais deep, com bastante techno, até o tribal dos anos 90. Era uma linha mais pesada, mais crua, que me interessava naturalmente.
E a Livia vinha com uma luz completamente diferente. Ela trazia esse disco clássico muito forte, anos 70, uma musicalidade mais quente, mais aberta. Esse contraste foi essencial, porque criou um equilíbrio muito natural entre peso e groove. Ali começou a se desenhar o que viria a ser o nosso som juntas.
Livia: A minha formação musical, por mais clichê que pareça, veio muito dos discos da minha mãe e ainda bem que ela tinha um ótimo gosto (risos). Depeche Mode, New Order, Madonna, Pet Shop Boys... eu cresci com esse rock, pop, synthpop cheio de personalidade.
Não era exatamente música eletrônica, mas pra mim soava como porque era tudo muito novo. Quando isso se encontrou com o universo da Bruna, foi quase imediato. A gente começou a tocar juntas em casa, sem pretensão, por diversão, misturando referências.
Um dia, entre amigos, perguntaram: “mas vocês não têm um nome pra dupla?” e a gente ficou matutando isso. Depois de um tempo, sacamos que o que a gente fazia navegava exatamente nesse espaço, entre a disco e a house, no caminho entre uma e outra. Em algum momento surgiu naturalmente: From House To Disco. Quando o nome apareceu, ele simplesmente ficou. Parecia óbvio, como se sempre tivesse estado ali.
Bruna: Quando a Livia veio com From House to Disco, foi imediato. Eu ouvi e pensei: “caralho, isso é muito bom”. Fez muito sentido, soou verdadeiro, parecia traduzir exatamente o que a gente estava fazendo. E ficou.
Vocês transitam por diferentes tipos de festas, públicos e mercados. Como vocês enxergam essa divisão ainda tão presente entre “underground” e “mainstream” na música eletrônica - e o impacto disso na forma como artistas são julgados quando crescem?
A gente transita porque é natural, em nenhum momento isso foi pensado pra ser assim, simplesmente aconteceu. Acho que se perde muita energia tentando encaixar artistas nisso ou naquilo. Essa lógica binária entre underground e mainstream fragmenta a cena e simplifica demais algo que, na prática, tem um espectro muito mais rico e diverso.
A cena se constrói em muitos contextos diferentes, com públicos, estruturas e linguagens distintas coexistindo ao mesmo tempo. Tratar isso como uma oposição direta empobrece a leitura da cena, quando, na verdade, essa multiplicidade é uma das maiores forças que temos.
Para a gente, a cena fica mais interessante justamente quando essas fronteiras são menos fixas. Existe espaço para projetos que circulam em ambientes menores, para quem prefere estruturas maiores, e para quem transita entre esses lugares. Nenhuma dessas escolhas invalida a outra.
Quando a gente deixa essa lógica binária pra trás e passa a valorizar a diversidade de caminhos possíveis, é que artistas de verdade podem existir. Quanto menos a gente tenta definir tudo em termos de “ou isso ou aquilo”, mais espaço existe para projetos reais e originais, o que é fundamental para manter a cena mais rica, viva e criativa.
“Quanto menos a gente tenta definir tudo em termos de “ou isso ou aquilo”, mais espaço existe para projetos reais e originais, o que é fundamental para manter a cena mais rica, viva e criativa.”
Que mudanças vocês perceberam na cena nos últimos anos em termos de comportamento, inclusão e diálogo, especialmente em relação à presença de grupos historicamente minorizados?
Mudanças nascem de incômodos. Dentro da nossa cena, isso nunca foi impeditivo, muito pelo contrário, sempre serviu de combustível. Quando se fecha uma porta, a galera vai lá e constrói outra, saca? Não fica esperando nada acontecer.
E a real é que as portas abertas por artistas e coletivos minorizados acabam sendo muito mais interessantes e originais do que as que já estavam ali. E isso, em algum momento, passou a ser reconhecido também em espaços maiores.
Artistas e coletivos se aproximaram, criaram seus próprios eventos e plataformas. Isso contribuiu para que a diversidade nos line-ups fosse acontecendo de forma mais consistente e acabou sendo um empurrão pro resto da cena. A música é o ponto central desse diálogo, mas essa conversa vai muito além.
Quando se pensa em Brasil, com toda essa pluralidade cultural e sonora, chega ser patético sermos binários, não é mesmo? Onde você encaixa o funk hoje em dia? Underground ou mainstream? É sobre isso.
Falando em funk, é impossível não chegar à Fernanda Abreu. Como surgiu essa parceria e o que significou para vocês reinterpretar uma artista tão central na música brasileira?
A Fernanda é uma referência pra gente há muito tempo. Ela faz parte da música brasileira de um jeito tão profundo que, às vezes, a gente nem se dá conta do quanto ela está presente na nossa memória coletiva.
O convite para trabalharmos juntas veio dela, num momento muito especial: a celebração dos 30 anos do Da Lata. Ela já estava preparando o vinil inédito do álbum, o livro e o documentário, e nos chamou para integrar essa comemoração com um remix, alimentando essa relação que ela sempre teve com a pista, com os DJs e com a house e a disco.
Trabalhar com a Fernanda é surreal. Ela já fez tudo. Já misturou samba, funk, eletrônico, pop, sempre com ousadia. A primeira pergunta que a gente se fez foi: o que a gente pode mostrar para alguém que já percorreu tantos caminhos? E, principalmente, como não cair no óbvio? A vontade desde o início era não repetir fórmulas.
Então, começamos com a bateria, tentando extrair algo novo dali, algo que tivesse um espírito funk, ousado, mas que não fosse o esperado. O desafio maior era ressignificar “Garota Sangue Bom”, porque aquela música é a própria Fernanda, essa figura da mulher carioca, do charme, da força, da liberdade, da independência. Como atualizar isso sem perder essa essência? Tinha que ser original e a própria identidade da Fernanda foi uma grande referência nesse processo.
Quando mandamos o primeiro trecho pra ela, deu aquele frio na barriga. Estávamos prontas para mil ajustes. E a resposta veio simples: “adorei, meninas!”. “Amei como recortaram a voz, amei o som, é pista, é isso, vamos em frente”.
Aquilo foi um dos maiores elogios que a gente poderia receber. Não só porque ela é uma artista gigante, mas porque ela entende música num nível muito profundo. Conversar com a Fernanda é ter aula. Então, foi muito gratificante saber que acertamos.
“A música virou esse território de liberdade, de reconhecimento, de possibilidade de existir sem pedir permissão.”
A curadoria é um dos elementos centrais no trabalho de vocês. Como funciona esse processo fora do óbvio do “gosto pessoal” e de que forma pesquisa, contexto e leitura de público entram nas decisões de set e estúdio?
A curiosidade é um ponto central do nosso trabalho. Existe uma vontade constante de aprofundar, pesquisar e descobrir músicas, artistas, selos, produtores e músicos. E temos vontade de compartilhar isso com as pessoas, seja em nossos sets ou em nossas produções originais.
Tem muita coisa legal que nem existe em versão digital e essa é a graça. O DJ é um curador por essência, se você não gosta de pesquisa, mude de profissão. E, para além disso, se você é produtor, sair do óbvio dos dias atuais pode ser um prato cheio para redescobrir sonoridades que hoje uma geração inteira não conhece.
A gente acredita muito nessa troca entre passado e presente, entre descoberta e resgate, e leva isso pra pista também. Penso que, se a pessoa escolheu estar ali, e não conectada no Spotify dela, ela quer ser surpreendida por nós. Caso contrário, era melhor ela ter ficado em casa mesmo.
Ou seja, não se trata apenas de tocar o que a gente gosta, mas de criar uma experiência coerente, que conecte pesquisa, sensibilidade e troca com quem está ali, seja uma pista com milhares de dezenas de pessoas ou um lugar mais intimista.
Depois de quase uma década de estrada, o que vocês sentem que desaprenderam como artistas para continuar evoluindo, especialmente em um mercado que muitas vezes recompensa repetição?
Uma das primeiras coisas que tentam te ensinar quando você trabalha com música são as fórmulas: para ser tocada, pra viralizar, pra crescer, pra engajar... Não cair nessa armadilha foi a nossa maior ousadia.
Não queremos repetir o que já foi sucesso, não repetimos nem setlist. Buscamos o frio na barriga em tudo o que fazemos. E esse frio só vem de algo que a gente ainda não conhece, não de repetições.
“Mudanças nascem de incômodos. Dentro da nossa cena, isso nunca foi impeditivo, muito pelo contrário, sempre serviu de combustível.”
Vocês dividem pista, vida e criação. O que muda na dinâmica criativa quando o vínculo afetivo também está presente, e como aprendem a preservar o projeto sem diluir a relação pessoal?
Essa é uma pergunta que sempre desperta curiosidade (risos). O interessante é que, embora o From House to Disco exista há quase uma década, a Bruna e a Livia estão juntas há mais tempo. A nossa dinâmica veio antes do projeto. O From House to Disco só surgiu depois de três anos, o que fez muita diferença.
Existe muito respeito pelo espaço, pela individualidade e pela identidade de cada uma, e é justamente nesse equilíbrio que o projeto acontece. Talvez por isso a dinâmica criativa flua de forma tão natural. Quando estamos tocando, por exemplo, a gente se fala pelo olhar. É nesse lugar que a mágica acontece (risos).
Mas, brincadeiras à parte, isso também funciona porque, individualmente, somos pessoas com muita personalidade. A gente sabe reconhecer os momentos de cada uma e como extrair o melhor disso, seja na produção, seja no palco. Acho que no fim, a nossa intimidade aprofunda o trabalho criativo.
O que vocês estão preparando para os próximos meses, seja no estúdio, na pista ou em novos movimentos do projeto?
Tem muita coisa legal acontecendo. A mais recente é que a gente acabou de entrar para
uma agência internacional, a Metrópole, de Berlim, em parceria com a Atomic Soda. Isso é muito especial pra gente, porque sempre fomos muito movidas pela noite, por viajar, por estar nos lugares, quase sempre por conta própria. Agora é a primeira vez que isso acontece de forma estruturada, profissional, e dá uma sensação boa de amadurecimento do projeto.
Outra novidade importante é que a gente está abrindo o nosso próprio selo, o Feed The Fever. Curiosamente, foi algo que até demorou pra acontecer. Muita gente dizia que a gente precisava ter um selo, e toda vez que alguém fala que a gente “precisa” fazer alguma coisa, a nossa reação costuma ser ir na contramão. Sempre foi assim. A gente nunca quis criar um selo por vaidade, por status ou por uma lógica de “agora temos um selo porque podemos”.
O Feed The Fever nasceu de forma muito despretensiosa. Um dia, jantando aqui em casa com o Ignácio (Ignácio Live), ele comentou que estava cansado de fazer “coisas para os selos” e nos identificamos muito com aquilo. Naquele momento surgiu a conversa: por que não criar um espaço para lançar as nossas ideias, all in?
No dia seguinte, a decisão já estava tomada. A gente até pensou em criar um alter ego, mas preferiu assumir esses outros lados dentro do próprio projeto From House To Disco. O Ignácio é um parceiro fundamental nesse processo: como músico, como aliado artístico,mas sobret udo como grande amigo que é. O selo vem muito como esse lugar de liberdade criativa pra todos nós e da vontade de experimentar coisas novas.
Ao mesmo tempo, seguimos lançando por outros selos. Temos convites muito legais para 2026, incluindo um lançamento pela D.O.C Records (de Gui Boratto), um EP pela espanhola Basement Discos e também um convite para lançar pela label Heels of Love, da Eli Iwasa e Priscila Prestes.
Além disso, estamos nos aventurando em algo novo pra gente: a curadoria e produção de showcases. Pela primeira vez, estamos trazendo para o Brasil um festival europeu, a Resonica, em um showcase mais intimista que acontece agora no final de janeiro no Martinelli, em São Paulo, e na D-EDGE (São Paulo e Rio de Janeiro), junto com o L_cio.
A ideia é começar a fazer isso com mais frequência em 2026, trazendo festas e festivais menores, com propostas muito consistentes, que ainda não circulam por aqui. A gente sente que existe muito espaço para além dos grandes nomes e formatos já consolidados. Queremos ajudar a oxigenar a cena, trazer outras sonoridades, artistas novos, parcerias inesperadas. Usar o privilégio de estar onde estamos para criar pontes e oferecer coisas diferentes e manter a cena em movimento.
“Se apaixonem pela música e não sigam regras. Parece simples, mas é isso. Quando você começa a pensar demais, acaba se afastando do que realmente importa.”
Pra fechar nosso papo, se vocês pudessem deixar um conselho para quem está começando agora na produção musical, quebrando a cabeça no processo criativo, qual seria?
Se apaixonem pela música e não sigam regras. Parece simples, mas é isso. Quando você começa a pensar demais, acaba se afastando do que realmente importa.
Música é sentimento. E quando isso sai de cena, talvez seja hora de se reconectar com o motivo pelo qual você começou. Então, se permita se apaixonar de novo e repetir esse processo quantas vezes for preciso
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