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Paul EG: o deep dub techno brasileiro em boas mãos
Head da Minimo Imprint, ele acaba de lançar o 16º release de sua gravadora, entregando duas versões para ‘Unbounded Leap’
Paul EG cresceu entre continentes, mas encontrou sua identidade sonora na intersecção entre o techno de Detroit e o groove underground de Napoli.
Agora, com ‘Unbounded Leap’, lançamento solo pela sua própria Minimo Imprint, o produtor brasileiro reafirma uma trajetória marcada pela consistência artística e pela recusa em seguir tendências.
Cover Story | From House To Disco: Duas perspectivas, um mesmo pulso
Nascido no Brasil mas criado na Europa, Paul EG foi exposto cedo à cena internacional. A cena de Napoli dos anos 90 - com Marco Carola, Gaetano Parisio e Rino Cerrone - e a estética da dub techno (Maurizio, Basic Channel) criaram uma base sólida para sua visão.
Outras influências por selos como Axis (Jeff Mills), Design Music e One Thousand moldaram seu entendimento sobre a música eletrônica antes mesmo de retornar ao país em 2000. Quando voltou, teve a oportunidade de se tornar residente do emblemático D-EDGE.
"Cresci desenvolvendo minha relação com a música eletrônica principalmente através da cena internacional, especialmente da techno de Detroit. O dub techno, o groove do house e a estética minimal sempre influenciaram minhas produções", contextualiza sobre suas raízes.
Esse contato com diferentes contextos geográficos resultou em uma abordagem que combina um groove mental, minimalista e profundamente enraizado no dub techno.
Duas décadas construindo legado
Em 2004, fundou o Ethnik Groove, seu primeiro selo - um projeto que já teve a honra de receber nomes de peso como Davide Squillace, Markantonio e Renato Cohen.
Mais tarde, através de sua atual Minimo Imprint, consolidou um espaço dedicado a artistas como Daniel Stefanik, Sascha Dive, Dub Taylor e muitos outros que compartilham sua visão perante o techno.
Como DJ, suas apresentações passaram por Flex (Vienna), Café D’Anvers (Anvers), Week End Club (Berlin), Suicide Circus (Berlin), além de festivais como Amore (Roma) e Montreux Jazz Festival.
EG também dividiu decks com Josh Wink, Marco Carola, Dennis Ferrer, Cassy e Kevin Saunderson - cuja lendária KMS Records acolheu uma de suas produções, um marco significativo em sua carreira.
Para Paul EG, a cena brasileira também teve um papel fundamental, mesmo durante seus anos na Europa. Influências locais como Renato Cohen, Márcio S, Renato Ratier e Philip Braunstein moldaram sua visão, além de se tornarem amigos ao longo dos anos. Essa ponte entre contextos - Brasil e Europa, Detroit e Napoli - é exatamente o que torna seu trabalho singular.
Unbounded Leap
Apresentado em duas versões, o release é construído sob a assinatura pessoal de Paul EG: dub techno profundo com sentido aguçado de ritmo. "Este release reflete um momento de maior maturidade artística e uma abordagem mais refinada na minha produção", diz.
Mais importante que o impacto imediato, o objetivo é reafirmar sua identidade. "Meu foco está na consistência artística e na liberdade criativa. Sempre busquei desenvolver um som próprio, conectado com o groove e com a essência da música eletrônica underground", finaliza.
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