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Falamos com Vivi Seixas, que aprofunda sua discografia com novo EP, ‘I’m Lost’
Novo lançamento pela Otherwise Records chegou dia 10 de julho com remixes de Kolombo, Lil Mark e Fran Bortolossi; pré-order já disponível
Há mais de duas décadas, Vivi Seixas vem construindo sua relação com a música eletrônica de forma bastante pessoal. Sua trajetória passa pelo house em suas formas mais clássicas, pelo funky house, chicago house, electro, breakbeat e minimal, sempre com atenção especial ao groove e às linhas de baixo.
Antes de se afirmar como uma das artistas mais respeitadas da cena brasileira, Vivi viveu um período importante de formação na Califórnia, onde estudou produção musical e se aproximou de referências que seguem presentes em sua forma de tocar e produzir.
Nos últimos anos, como DJ, manteve uma presença constante em clubs e festivais como D-Edge, Greenvalley, Rock in Rio e Universo Paralello. Também fundou a Tulipa, label party que reforça o protagonismo feminino dentro da cena, lançou a Invite, sua nova noite autoral em São Paulo, e passou a compartilhar cada vez mais sets no seu canal do YouTube.
Em paralelo, o lançamento de ‘Fica’ no final de 2025, pela Vessel Recordings, marcou um passo importante em sua fase como produtora, trazendo sua pesquisa de House para o formato de vinil, o seu primeiro trabalho neste formato.
Agora, esse momento ganha continuidade com ‘I’m Lost’, novo EP assinado pela Otherwise Records que chegou oficialmente no dia 10 de julho. O projeto reúne seis faixas ao todo, incluindo remixes de Kolombo, Lil Mark e Fran Bortolossi, misturando estilos como deep house e jackin house.
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Nos charts, o EP vem ganhando destaque. O Beatport, ocupa atualmente o Top #10 Minimal / Deep Tech Releases, enquanto nos charts de Deep House e House chegou às posições #9 e #11, respectivamente.
Para entender melhor o processo criativo do EP, as colaborações envolvidas no projeto e os próximos movimentos de sua carreira, conversamos com Vivi Seixas em um bate-papo exclusivo. Confira.
Q+A: Vivi Seixas
Olá, Vivi, tudo bem? Depois de ‘Fica’, você agora apresenta o EP ‘I’m Lost’ pela Otherwise Records. Como você enxerga esse lançamento dentro do seu momento atual como produtora?
Olá, pessoal! Obrigado pelo convite. Eu vejo "I’m Lost" como um retrato muito honesto do momento que estou vivendo como produtora. É um trabalho que reúne diferentes influências que fazem parte da minha história como DJ e daquilo que gosto de tocar nas pistas.
Uma coisa que me agrada muito nesse EP é justamente a versatilidade. Ele passeia por diferentes vertentes do House, tem momentos mais Deep House, momentos mais Jacking House e faixas que funcionam em situações bem diferentes dentro de uma pista. Eu gosto dessa liberdade de não ficar presa a uma única linguagem.
Ao mesmo tempo, é um trabalho muito pessoal. Existe uma preocupação em construir uma narrativa, provocar sensações e criar conexão através da música. Acho que ele representa bem quem eu sou hoje, tanto como DJ quanto como produtora.
Você nos contou previamente que ‘I’m Lost’ nasceu a partir da ideia de recitar trechos de um texto psicodélico do seu pai, Raul Seixas. Como essa ideia apareceu para você e em que momento percebeu que ela poderia se transformar em música?
Na verdade, não foi exatamente uma ideia de recitar o texto. Eu sempre gostei muito desse texto surrealista do meu pai. Ele é cheio de cenas e personagens que despertam a imaginação imediatamente: a varanda de Mercúrio, perseguir o próprio eco, Medusa, Plutão... É uma escrita muito visual.
Em determinado momento, algumas dessas referências começaram a conversar com uma sonoridade que eu estava desenvolvendo no estúdio. Aos poucos, elas acabaram influenciando tanto a letra quanto a identidade da faixa.
O que mais me chamou atenção foi a ideia de estar entre lugares, entre pensamentos, sem saber exatamente para onde ir. E "I’m Lost" fala justamente sobre isso. Não como uma sensação de derrota, mas como parte do processo de descoberta. Às vezes a gente precisa se perder um pouco para encontrar um novo caminho.
O lançamento reúne ainda remixes de Kolombo, Lil Mark e Fran Bortolossi, três artistas com leituras e bagagens diferentes dentro do House. O que cada um trouxe para o projeto e como foi ouvir essas faixas ganhando novas formas a partir do olhar de outros produtores?
Foi uma experiência muito legal porque cada um enxergou a faixa de uma forma completamente diferente.
Kolombo trouxe uma leitura mais hipnótica e sofisticada, com uma identidade que eu sempre admirei no trabalho dele. O Lil Mark imprimiu sua identidade de forma muito clara no remix. É um daqueles produtores que possuem uma assinatura sonora própria e imediatamente reconhecível.
E o Fran seguiu por um caminho que eu curti bastante. Ele trabalhou muito bem os pads e as camadas da música, trazendo mais profundidade para a track e mostrando uma leitura bem particular dele da faixa.
Eu gosto muito de remixes justamente por isso. A música deixa de pertencer apenas ao produtor original e ganha novas vidas. É sempre surpreendente ouvir como outra pessoa interpreta algo que nasceu dentro do seu estúdio.
Nos últimos anos, você tem desenvolvido projetos como a Tulipa, a Invite, a série In My House, todos muito ligados à ideia de curadoria, seja na pista ou em vídeo. Isso de alguma forma também influencia sua maneira de produzir em estúdio?
Com certeza. Eu passei mais de vinte anos pesquisando música, tocando em pistas muito diferentes e observando como as pessoas reagem a determinados sons. E essa vivência influencia diretamente a forma como produzo.
Quando estou no estúdio não penso apenas em elementos técnicos. Eu penso em dinâmica, emoção e construção. Talvez o olhar de curadora tenha me ensinado justamente isso: entender que uma música não é só uma sequência de sons, mas uma forma de transmitir uma ideia ou um sentimento.
Além do EP, você contou que ‘I’m Lost’ terá um videoclipe. O que você quis traduzir em imagem nesse projeto? Qual foi a ideia para ampliar o universo da faixa?
A ideia foi expandir visualmente essa sensação de sonho, imaginação e deslocamento que já existe na música. O clipe não tenta ilustrar literalmente a letra. Ele trabalha muito mais com percepções e estados emocionais. Existe um lado surrealista, quase onírico, mas também uma busca constante por transformação.
Era importante que as cenas transmitissem essa sensação de atravessar diferentes realidades e perspectivas, algo que conversa diretamente com a música e com as referências que inspiraram a composição.
E pra gente finalizar, quais são os próximos passos depois desse lançamento? Obrigado!
Estou vivendo um momento muito criativo. Além de continuar desenvolvendo minha carreira como produtora, sigo trabalhando no crescimento da Tulipa, que é um projeto muito especial para mim. Quero continuar lançando música, produzindo conteúdo e criando experiências que conectem diferentes linguagens artísticas. "I’m Lost" é um capítulo importante dessa fase, mas certamente não é o último.
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Imagens: Pablo Grotto / Divulgação

