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Interviews

Da curiosidade à validação: como Greggio virou um dos casos mais observados da nova geração

Em entrevista exclusiva à Mixmag Brazil, o artista fala sobre validação internacional, identidade sonora e os próximos passos da carreira

  • Victor Flosi
  • 4 February 2026

Greggio desponta como uma das surpresas mais interessantes da nova geração da música eletrônica brasileira. Ainda pouco conhecido do grande público, o artista vem chamando atenção da cena internacional de forma silenciosa, porém consistente, tornando-se um case cada vez mais observado dentro do circuito eletrônico global.

Radicado na Europa, sua trajetória é marcada por uma sequência de lançamentos em selos que sempre fizeram parte do seu imaginário artístico e por suportes recorrentes de alguns dos maiores DJs do mundo - muitas vezes antes mesmo de seu nome ganhar protagonismo nos line-ups.

Entre estúdios, clubes europeus e pistas brasileiras, Greggio constrói uma sonoridade que equilibra emoção e energia, com uma leitura de pista claramente global. Mais do que um artista em ascensão tradicional, ele surge como uma curiosidade que se transforma em validação, despertando a pergunta que começa a circular nos bastidores da cena: quem é Greggio?

Q+A: Greggio

Para quem ainda não conhece sua história: quem é Greggio e como você definiria o momento que vive hoje na carreira?

Posso dizer que hoje vivo o melhor momento da minha carreira. Estou alcançando gravadoras que sempre foram um sonho desde que comecei a tocar, em 2020. É uma fase de muita realização, mas também de muito trabalho e foco em evoluir constantemente.

2025 foi um ano decisivo para você, com suas faixas sendo tocadas em alguns dos maiores palcos e sets do mundo, mesmo antes de uma agenda consolidada de grandes shows. Quais momentos desse período mais te marcaram?

Acredito que o final de 2025 foi o ponto mais alto do ano. Ver minhas músicas sendo tocadas por praticamente todos os meus maiores ídolos da cena, em palcos e contextos tão relevantes, foi algo surreal.

Mesmo sem ainda estar presente fisicamente nesses grandes eventos, sentir minha música ocupando esses espaços me deu muita confiança. Além disso, tocar em diferentes cidades do Brasil no fim do ano foi extremamente importante para minha evolução pessoal e artística.

Você mora na Europa e está inserido diretamente na cena internacional. Como essa vivência impactou sua visão de mercado e sua evolução artística?

Estar na Europa tem sido extremamente positivo para a minha carreira e, sem dúvida, para as minhas produções. Ter acesso a tantos clubes e cenas diferentes ao redor do mundo me fez enxergar a música de outra forma na hora de produzir. Eu tento levar essa sonoridade e essa leitura de pista para o Brasil em cada apresentação.

Seu som transita de forma muito natural entre tech house e indie dance. Como essa identidade se construiu e o que você busca transmitir quando alguém ouve uma faixa sua pela primeira vez?

Tendo artistas como Vintage Culture e Solomun como grandes referências, sempre busquei essa influência nas minhas produções. Gosto muito de transmitir emoção e sentimento.

Para mim, a música é uma jornada, e em cada set tento expressar isso de uma maneira diferente, criando uma experiência única.

Muitos DJs importantes tocam suas músicas em sets e vídeos que circulam globalmente. Qual o peso desse tipo de validação para um artista em ascensão hoje?

Para mim, isso tem sido fundamental. É como uma confirmação daquele sentimento que tenho no estúdio, quando penso: “essa vai funcionar”.

Ver meus ídolos tocando minhas faixas é uma realização gigante e algo que vem transformando minha carreira de forma impressionante.

O Higher EP, lançado pela Diynamic, marca um novo passo na sua trajetória. O que esse lançamento representa artisticamente para você?

Sem dúvidas, é a realização de um sonho. Enviei mais de 100 músicas para a Diynamic nos últimos meses até conseguir esse EP assinado por eles. Sempre foi minha dream label, e tenho certeza de que esse lançamento vai impulsionar muito a minha carreira.

Logo depois vem “I Feel Good”, pela Repopulate Mars. O que diferencia essa faixa do EP e por que ela era especial o suficiente para esse selo?

“I Feel Good” representa energia e alegria. Ela transita muito bem entre o tech house e o house, levando uma vibração muito forte para a pista. No mesmo dia em que a faixa ficou pronta, enviei para o Lukas, e ele tocou na UNVRS, em Ibiza. A reação do público me deu a certeza de que tínhamos feito um hit.

Mesmo crescendo fora do país, como você enxerga hoje sua relação com a identidade brasileira dentro do seu som?

Acho que minha música não carrega uma identidade brasileira de forma direta. Meu som é muito mais influenciado pela vivência internacional e pela leitura global de pista. Ainda assim, representar o Brasil lá fora, mesmo que de forma indireta, é algo que me deixa muito orgulhoso.

Quando alguém diz “essa bomba é de um brasileiro”, o que passa pela sua cabeça? Existe um senso de responsabilidade em representar a cena nacional lá fora?

Sem sombra de dúvidas. É impressionante ver quantos brasileiros estão movimentando a cena mundial hoje. É uma felicidade enorme fazer parte desse movimento e ajudar, de alguma forma, a fortalecer a presença do Brasil na música eletrônica global.

Olhando para o curto e médio prazo, quais são os próximos passos do Greggio em 2026?

Em 2026, quero rodar ainda mais pelo Brasil e pelo mundo. Já tenho algumas datas confirmadas na Inglaterra, Irlanda, Espanha, Portugal e Estados Unidos.

Sinto que será um ano de conexão mais profunda com meus fãs e de compartilhar muitas produções novas nas quais acredito muito.

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Photos: @rhoneypersike

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