Search Menu
Home Latest News Menu
Interviews

Chapa & Castelo: identidade, groove e a maturidade de um projeto que pensa a pista a longo prazo

Em entrevista exclusiva à Mixmag Brasil, o duo argentino fala sobre identidade artística, groove, pista e o crescimento da cena eletrônica local

  • Victor Flosi
  • 3 February 2026

Com uma trajetória construída longe de atalhos, Chapa & Castelo se consolidaram como um dos projetos mais consistentes da nova geração da música eletrônica argentina. Ao longo de dez anos, o duo desenvolveu uma identidade artística clara, guiada pelo groove, pela musicalidade e por uma relação honesta com a pista - valores que se refletem tanto em suas produções quanto em seus sets, conhecidos pela fluidez entre House e Tech House sem perder personalidade.

Em um momento em que a cena argentina ganha cada vez mais projeção internacional, Chapa & Castelo seguem fiéis à ideia de que a música vem sempre em primeiro lugar. Entre a resposta do dancefloor, a busca por alegria nos timbres e uma visão de longo prazo baseada em exploração sonora, o duo fala sobre processo criativo, cena local e os próximos passos da carreira nesta entrevista exclusiva para a Mixmag Brasil.

Q+A: Chapa & Castelo

Vocês surgiram como um dos projetos mais consistentes da nova geração da cena eletrônica argentina. Em que momento vocês perceberam que o Chapa & Castelo tinha deixado de ser apenas um projeto de estúdio para se tornar uma identidade artística completamente formada?

Honestamente, desde que começamos esse projeto, sempre sentimos a mesma coisa sobre ele. É algo muito pessoal para nós, e levamos isso a sério.

Cada sessão de estúdio e cada show significam a mesma coisa. Já se passaram 10 anos, e estamos realmente felizes por conseguir viver da música.

No fim das contas, tudo vem daquele sonho original: viver da música e tentar crescer todos os dias.

Uma das características mais fortes dos seus sets é a forma como vocês transitam com naturalidade entre House e Tech House. Como manter essa versatilidade sem perder uma assinatura sonora clara e reconhecível?

Desde o início, passamos por diferentes gêneros, mas nos últimos anos estamos totalmente focados no house e em seus diferentes estilos. Acreditamos que o que realmente nos torna reconhecíveis é a vibe das faixas que produzimos e das músicas que tocamos nos nossos sets.

Sempre tentamos trazer uma sensação de alegria em cada instrumento que escolhemos. Os instrumentos são muito importantes para nós, por isso você sempre vai ouvir teclas, metais, guitarras e muitos outros elementos - não apenas baixo e bateria.

Sentimos que nossa música se conecta com todos os tipos de pessoas, e isso é uma grande parte de quem somos.

Suas produções funcionam muito bem na pista, mas sempre carregam personalidade. No estúdio, o que costuma vir primeiro: o groove, a resposta do público ou a experimentação sonora?

Quando fazemos música, geralmente começamos com um groove que precisa nos pegar imediatamente. Se isso não acontece, normalmente não seguimos em frente. Para nós, o groove vem primeiro, antes mesmo de adicionar melodias ou vocais.

O sucesso de vocês na Argentina reflete uma cena local que vem ganhando cada vez mais relevância fora do país. Como vocês enxergam hoje o papel da Argentina dentro do cenário global de House e Tech House?

Neste momento, a cena argentina está crescendo muito. Além dos clubes e de todos os artistas internacionais que vêm tocar aqui, existem muitos artistas emergentes fazendo música incrível.

Nos nossos sets, tocamos bastante música de artistas argentinos - até mais do que de artistas de outros países. Existe uma quantidade enorme de talento aqui, e realmente acreditamos que em breve vamos começar a ver mais nomes argentinos nas melhores festas do mundo.

Como a resposta do público argentino influenciou a forma como vocês constroem seus sets e tomam decisões artísticas? Existe um feedback direto entre a pista local e o processo criativo de vocês?

Somos muito honestos com aquilo de que gostamos. Se não sentimos algo de verdade, é difícil passar esse sentimento para o público. Ao longo dos anos, aprendemos muito, e hoje nos sentimos muito confortáveis e felizes tocando a música que realmente amamos e que mais nos inspira.

Ao mesmo tempo, quando testamos faixas novas, percebemos na pista se aquilo funciona, se faz as pessoas dançarem ou ficarem eufóricas. No fim das contas, além de tentar produzir boa música, nosso trabalho como DJs é fazer as pessoas dançarem - então, obviamente, levamos isso em consideração sempre que voltamos para o estúdio.

Olhando para o futuro, o que podemos esperar do Chapa & Castelo nos próximos anos: uma exploração sonora mais profunda, colaborações estratégicas ou um foco ainda maior no circuito internacional?

Neste momento, estamos focados em fazer boa música - isso sempre é a principal coisa.

Ao mesmo tempo, estamos muito motivados a continuar crescendo internacionalmente, por isso este ano vamos passar bastante tempo em Ibiza e fazer turnês pela Europa.

Mas sempre voltamos à mesma ideia: a música vem em primeiro lugar. Então “exploração” seria a palavra mais adequada para definir nossas expectativas para os próximos 50 anos - e além.

Follow Chapa & Castelo on Instagram

Imagens: Divulgação

Load the next article
Loading...
Loading...