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BRVNOV comenta novo momento de carreira e expansão dentro do progressive house

Bruno Vieira fala sobre a transição para sua nova identidade artística, a relação com Gui Boratto e os caminhos que pretende trilhar nos próximos meses

  • Marllon Gauche
  • 23 June 2026

BRVNOV é o projeto atual de Bruno Vieira, DJ, produtor e multi-instrumentista pernambucano que construiu sua relação com a música eletrônica atravessando diferentes fases da cena brasileira. Antes de assumir essa nova identidade artística, ele atuou como Bruno V, integrou o DuoProp e passou por pistas, rádios e festivais em um período muito diferente da cena comparado ao atual.

Hoje, ao retomar a parte de produção musical com mais consistência, Bruno parece usar essa bagagem como ponto de partida para uma fase mais madura, interessado em desenvolver uma assinatura própria dentro do progressive house, flertando ainda com outras vertentes mais narrativas que passam pelo melodic house, breakbeat e downtempo.

Nos últimos meses, essa nova etapa ganhou corpo a partir de uma sequência de lançamentos por selos como DOC Records, Tune City, Freegrant Music e Pattern Music, além do remix oficial para ‘Love Is Coming Back’, de Hernan Cattaneo e Husa & Zeyada, que foi top #32 no chart de Progressive House no Beatport e #1 no chart Secret Weapons do gênero em 2025.

A aproximação com Gui Boratto e com o universo da DOC Records também aparece como um movimento importante dentro desse período, já que a parceria tem sido fundamental para Bruno desenvolver e apresentar sua narrativa com mais liberdade.

Nesta entrevista exclusiva, trocamos algumas palavras com ele sobre sua trajetória, as mudanças no mercado, sua relação com o estúdio, os encontros que marcaram esse novo ciclo e os próximos passos do projeto.

Q+A: BRVNOV

Sua história na música eletrônica passa por fases muito diferentes da cena brasileira. Quando você olha para o projeto BRVNOV hoje, sente que ele é uma retomada, uma reinvenção ou uma continuidade mais madura de tudo o que veio antes?

Olá, pessoal. Primeiramente, fico muito feliz de participar dessa entrevista com a Mixmag mais uma vez. É uma revista que eu leio desde a adolescência, quando eu morava na Inglaterra, por volta de 1995.

Apesar do projeto ser novo, eu sou a mesma pessoa de sempre, o mesmo artista, que bebeu das mesmas fontes. Sou a mesma pessoa, o mesmo músico. Mas, claro, são quase 50 anos de idade e quase três décadas inserido nesse contexto da música. Tudo é uma evolução, uma maturidade, mas, se você ouvir um trabalho meu de 20 anos atrás e um de agora, todos têm uma linha em comum conectando as coisas.

Algo muito importante neste seu novo momento tem sido a conexão com a DOC Records e com Gui Boratto; lá você lançou ‘Bloom’, ‘Hourglass’ e o remix para ‘Love is Coming Back’. Pode nos falar um pouco mais sobre essa aproximação com o Gui e o universo da DOC?

Para falar de Gui Boratto, eu preciso dizer duas coisas. Primeiro que sou muito fã. E segundo, sou muito agradecido por ele ter dado abertura para ouvir o que eu gostava de fazer e por ter dado abrigo, através da DOC, para lançar meus trabalhos. Inclusive, já estamos conversando sobre fazer outros releases em breve.

A minha aproximação com o Gui começou sutilmente, há muitos anos, na noite. Depois, através de uma iniciativa empresarial que fizemos juntos, rolou muito convívio, sinergia, reuniões, taças de vinho e listening sessions na casa dele.

E aí sempre tem um instrumento envolvido nisso. Eu pego um violão, ele toca um piano, mostra um sample... e a gente é da mesma geração. A diferença de idade entre nós é mínima, então gostamos de muitas das mesmas coisas.

E rolou essa química, essa amizade. Fico lisonjeado por ele ter tanto respeito pela minha música, porque, para mim, Gui sempre foi um exemplo de artista. Eu nem chamo ele de artista. Gui, para mim, é um maestro, ele está acima.

Meu agradecimento, meu carinho, meu respeito e minha vontade de fazer mais e mais coisas através da DOC são enormes. Acho que o meu trabalho ganhou uma roupa muito mais séria e, através dos lançamentos que fiz com ele, muito mais gente conheceu o meu trabalho.

Em alguns de seus lançamentos, existe uma abordagem menos óbvia explorando breakbeat, downtempo e uma construção bastante narrativa. Você tem buscado isso de forma consciente? Esse “afastamento” de um som mais funcional de pista?

O breakbeat sempre foi um estilo presente no meu trabalho. Já tocava no passado e também já lancei músicas nesse estilo antigamente. Eu encontro no breakbeat uma roupa nova para o progressive, porque é possível usar os mesmos elementos, os mesmos synths e arpejos, só que com uma batida mais leve.

De fato, eu tenho explorado um caminho um pouco mais mellow, chill out, porque eu acho que a música eletrônica tem que ter essa versatilidade. Não é só o 4x4 on the floor, é muito mais do que isso. Se você ouve artistas como Ben Böhmer, Sasha, Hernan, James Zabiela e John Digweed, tem muito breakbeat.

Então, o breakbeat é uma narrativa progressiva dentro do contexto da galera do progressive, e eu me sinto muito tranquilo com isso. Eu curto, ouço no dia a dia, então é muito natural para mim produzir nesse campo sonoro. Gosto muito.

E já que estamos falando de produção musical, não dá pra deixar de comentar sobre o remix para Hernan Cattaneo, um marco para qualquer artista ligado ao progressive house. Como surgiu esse convite e qual foi o maior desafio de mexer em uma faixa ligada a um nome tão referencial?

Eu estava voltando a produzir música, a gravar sets, participei de algumas gigs interessantes e sentia que “Love Is Coming Back” representava isso: o amor de estar inserido na cena musical de alguma forma. Quando ouvi a track original, eu pirei, amei, e tentei encaixá-la em alguns sets, mas a levada dela é bem devagar, mais deep. Fiquei meio inquieto com aquilo. A mensagem é linda, os vocais são lindos, tem ótimos elementos, mas apanhei para encaixar ela no que eu estava fazendo. Então fiz a minha versão.

Depois que comecei a tocar, deu super certo na pista e, através de amigos em comum - além de o Hernan ser próximo de amigos meus - conversei com ele, mostrei a música e ele adorou. O Gui também abraçou a ideia na hora, e foi um release transformador. Foi meu primeiro número 1 no Beatport. E está aí. O Hernan toca a minha versão até hoje e isso, para mim, é uma honra máxima. Para mim, isso é uma das coisas mais emocionantes da música eletrônica: ter a liberdade criativa de repensar o que já é incrível.

Em termos de estúdio, o fato de você ser multi-instrumentista ainda muda a forma como começa uma faixa? A ideia costuma nascer mais de harmonia, melodia, timbre, groove ou conceito?

Isso é engraçado, porque, ao mesmo tempo em que pode facilitar imensamente uma composição, também pode colocar mil elementos em cima de uma ideia simples e travar, porque você não sabe por onde começar ou acabar. Aí fica pensando em muitas possibilidades.

Mas posso dizer que 80% a 90% do que eu faço nasce através de uma pequena ideia de um dedilhado de violão ou de acordes no teclado. É muito intuitivo. Muitas vezes o processo criativo sai de um papel ou de um pequeno vídeo gravado no celular. É absolutamente aberto e inconclusivo.

Eu não tenho fórmula. Para mim, é uma coisa muito artesanal. Aí você vai para dentro do estúdio e começa a explorar as direções possíveis, mas a ideia, a faísca inicial, é bem artesanal.

Você também participou da primeira edição brasileira do Sunsetstrip, show do Hernan Cattaneo. O que essa experiência representou dentro do seu momento atual?

Foi muito legal, porque aconteceu exatamente no mesmo momento em que o remix foi lançado. Abrir para ele naquela festa linda e ouvir ele tocar a track foi inesquecível. Tem momentos na vida em que a gente para e pensa: “Depois dessa, já posso me aposentar”. E acho que esse foi um deles.

Depois dessa sequência de lançamentos por DOC, Tune City, Freegrant e Pattern, quais são os próximos passos que você quer tomar para aumentar o reconhecimento do projeto?

2024 e 2025 foram anos muito ricos. Eu consegui fazer meu trabalho ser ouvido e lançado por selos de muita qualidade e renome. Agora temos, no fim de junho, mais um EP vindo aí pela DOC Records e mais um até o final do ano. Mas o meu desejo hoje é lançar meu álbum ainda em 2026. Ele está “pronto”, mas estamos tentando fazer com que tenha um impacto maior, saindo por uma grande gravadora no momento mais apropriado.

Pensando nos projetos futuros, você se vê caminhando para um álbum, EPs mais conceituais, colaborações específicas ou uma agenda mais focada em apresentações?

Hoje, o mundo das apresentações ao vivo, rotina e agenda, infelizmente, não consigo mais conciliar com a minha vida diurna. Eu brinco que tenho dois personagens: o noturno, que é o estúdio, a música, a produção; e o diurno, que é o meu trabalho, os esportes e tudo mais.

Então eu realmente estou numa fase da vida, com quase 50 anos, em que me alimento da música através da composição, e isso para mim já é incrível. Sem dúvidas, o caminho a seguir é muito mais de estúdio, de compor e colaborar com mais artistas.

E o que você poderia nos adiantar que já está confirmado para os próximos meses? Obrigado!

O que está confirmado são pelo menos três EPs e, como falei, até o final do ano, o meu álbum pela DOC Records.

Obrigado!

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Imagens: Divulgação

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