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Paula Chalup: 30 anos de carreira reinventando o que significa ser DJ

Pioneira da cena techno brasileira, a artista acompanhou o nascimento da cena e segue desenhando seus próximos capítulos

  • Marllon Gauche
  • 10 June 2026

Paula Chalup estava lá quando tudo começou. No Hell's Club e no Lov.e, nos anos 90, quando a cena techno brasileira ainda era um sussurro. Três décadas depois, mais especificamente em setembro, ela chegará a marca de 30 anos de carreira e terá completado os 50 de vida, número que reflete uma trajetória de quem nunca parou de se reinventar.

Conquistou o prêmio de DJ Revelação em 1996 na premiação dos Melhores da Noite Ilustrada, da Folha de São Paulo, logo após seu primeiro ano como profissional. Passagens por Londres - Fabric, The End, Heaven, EGG, Turnmills - consolidaram sua presença internacional. No Brasil, passou clubs e festivais como D-EDGE, Clash, Lions, Skol Beats e Rock in Rio, Lollapalooza , Tomorrowland.

Mas Paula nunca foi apenas uma DJ de cabine. Transitou para produção, explorou live acts com o projeto IAO, colaborou com DJ Mau Mau no 2attack, com Dudu Marote teve o VCO Rox, ao lado de L_cio e Danielcozta idealizou a festa L_VE, e ainda ajudou a criar espaços como o 4e20 Music Mar em São Paulo.

Como produtora, lançou pela DOC Records (selo de Gui Boratto), Me Gusta Records, Clepsydra (em colaboração com Mau Mau) e pela RawTech Nation - onde hoje assume uma residência na festa da gravadora.

Sonoramente, Paula equilibra sua identidade entre Techno e House trazendo um diálogo com o Rock e outras texturas. Mas mais importante que a definição do som, é a sua atitude: entrega total, precisão técnica e uma inquietude que a mantém relevante há mais de três décadas.

Essa inquietude, inclusive, a levou a explorar novos territórios. Quando conheceu a tecnologia Dolby Atmos, algo mudou em sua forma de pensar. Deixou de ver apenas "música" e começou a enxergar "experiência imersiva" que ela proporciona. Em parceria com o engenheiro de áudio Andre Zabeu surgiu o estudio ANZ360 onde desenvolveram muitos projetos em Audio Immersive, um estúdio focado em produzir e promover música através da tecnologia tridimensional Dolby Atmos.

Essa transição a conectou com a Visualfarm, o primeiro Laboratório de Artes Imersivas da América Latina, onde agora trabalha como diretora de experiências audiovisuais, capítulo que não substitui sua identidade como DJ, mas a expande. Lá, som e imagem se fundem através de projeções mapeadas, cenografia robótica, realidade virtual e IA.

Em setembro, ao completar oficialmente seus 30 anos de carreira, Paula planeja uma mini tour que deverá ter contornos especiais para ela, conectando alguns dos fragmentos dessa história em noites que funcionam como um retrato do momento que vive hoje.

Afinal, sua trajetória nunca foi marcada pela tentativa de preservar um passado idealizado, e sim pela sua capacidade de continuar se transformando, encontrando novos caminhos sem perder a conexão com aquilo que a trouxe até aqui.

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Imagens: Divulgação

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