Leo Janeiro costura poesia, pista e memória em 'Tempo', seu primeiro álbum de carreira
Lançado pela Cocada Music, disco apresenta uma experiência imersiva em Dolby Atmos e colaborações globais
Na última sexta-feira, 05, Leo Janeiro lançou seu primeiro álbum de estúdio em quase 30 anos de carreira.
Chegando pela Cocada Music, “Tempo” traz oito faixas (nove nas plataformas de streaming) que reforçam a ideia de tempo não como uma linha reta, mas como um campo sensorial no qual passado, presente e futuro coexistem. Ouça aqui!
O ponto de partida do álbum deixa isso claro logo nos primeiros segundos. Exclusivo para o streaming, o álbum se abre com um poema inédito, também intitulado “Tempo”, escrito especialmente para o projeto pelo poeta Gilberto Sorbini.
A peça funciona como um portal narrativo, conduzindo o ouvinte para dentro do universo do disco por meio de palavras que evocam memória, movimento e transformação. Não se trata de uma introdução decorativa, mas de um gesto conceitual: antes da batida, vem a escuta; antes da pista, a percepção.
Musicalmente, o disco foi concebido como um mosaico orgânico. Cada faixa representa um estado diferente desse percurso: do jazz solar e dançante de “Copa Jazzin’” à energia híbrida de “Carioca Flute”; da sofisticação espiritual de “Redentor” ao impacto rítmico de “Som na Caixa”.
“Tempo” se move entre o calor do Rio, o rigor harmônico de Detroit e o peso ancestral do funk brasileiro, sempre ancorado na house music como linguagem central.
Esse cuidado sensorial se estende à parte técnica. Todo o álbum foi mixado em Dolby Atmos, tecnologia de áudio espacial que redefine a forma como a música ocupa o espaço.
Isso significa que flautas, pianos, vocais, graves e texturas rítmicas não apenas soam, mas circulam, criando uma experiência de profundidade e movimento que dialoga diretamente com a ideia de corpo em trânsito - elemento central da cultura clubber.
As colaborações também cumprem papel essencial na construção desse universo. Ao longo do álbum, Leo estabelece diálogos criativos com artistas de diferentes trajetórias e geografias: do flutebox futurista de Nathan Flutebox Lee ao jazz hi-tech de Jon Dixon, passando pelo olhar inquieto de Zopelar, a voz soulful de Mona Lee e a fluidez clubber do duo From House to Disco. Nenhuma collab surge como participação pontual: todas são partes estruturais do discurso da obra.
Esse caráter autoral e sensível já encontra forte ressonância fora do Brasil. “Tempo” chega ao mundo com suportes de nomes fundamentais da música eletrônica, como Laurent Garnier, Skream, Mark Farina, Jimpster, Massimiliano Pagliara, Jamie Jones, Horse Meat Disco, Danny Tenaglia, entre outros.
Lançado pela Cocada Music, selo que o próprio artista fundou e conduz, o trabalho sintetiza uma visão rara: a de quem atravessou décadas de transformações da cena eletrônica sem perder o vínculo com a essência da pista. É um álbum que não tenta provar nada - ele simplesmente acontece, como o próprio tempo: invisível, inevitável e profundamente humano.
Projeto gráfico
A construção de “Tempo” vai além da música. Leo buscou trazer a sua história também através do conceito audiovisual da obra.
A grande responsável pelo projeto gráfico do álbum foi a artista urbanista Paula Lles.
“Foi muito legal essa construção das capas, a Paulinha é incrível e conseguiu trazer toda uma sensibilidade nas criações. No processo de criação, a Paula usou fotos minhas antigas e o resultado ficou incrível.” comenta Leo Janeiro.
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O primeiro álbum em quase três décadas de uma trajetória invejável
Com quase três décadas de atuação contínua, Leo Janeiro ocupa um lugar singular na história da música eletrônica brasileira.
DJ, produtor, curador e agitador cultural, ele é um daqueles nomes que ajudaram a moldar a linguagem da cena de pista no país desde os anos 1990, atravessando diferentes fases, estéticas e transformações tecnológicas sem jamais se desconectar do presente.
Para além de seguir tendências, o artista construiu uma trajetória baseada em escuta, repertório e sensibilidade, transitando com naturalidade entre house, disco, funk, jazz, soul e referências afro-brasileiras, sempre com olhar autoral e profundo respeito pela pista.
À frente do selo Cocada Music e de projetos que extrapolam o formato tradicional de festa, Leo sempre atuou como elo entre gerações - conectando produtores emergentes, veteranos da cena e públicos diversos em experiências que valorizam tanto o som quanto o contexto.
“Tempo” surge, portanto, não como ponto de partida, mas como síntese. Um álbum que condensa vivência, visão artística e maturidade, revelando um criador que nunca teve pressa de lançar um disco completo - justamente porque sempre esteve mais interessado em compreender o momento certo.
Tracklist
Bônus para streaming: Leo Janeiro feat. Gilberto Sorbini- Intro: Tempo (Poema)
1. Leo Janeiro feat. Jhayam - Time Goes
2. Leo Janeiro feat. Nathan Flutebox Lee - Carioca Flute
3. Leo Janeiro - Copa Jazzin'
4. Leo Janeiro feat. Jon Dixon - Redentor
5. Leo Janeiro feat. Zopelar - Som na Caixa
6. Leo Janeiro feat. Mona Lee - Disco Raro
7. Leo Janeiro & From House to Disco - Easygoing
8. Leo Janeiro - Avec Moi
Ouça “Tempo” aqui.
Instagram @leojaneiro
Imagens: Divulgação

