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Get To Know

Pon Vio leva o DJ Talent Room ao ADE 2026 e fala sobre música, liberdade e novos começos

Da infância na Polônia comunista à carreira na música eletrônica, a DJ e produtora radicada na Holanda compartilha sua trajetória, suas influências e a proposta de conectar diferentes gerações de house

  • Amanda Godoy
  • 15 October 2026

George Michael talvez não seja o primeiro nome que vem à cabeça quando pensamos nas influências de uma DJ de house e tech house. Para Pon Vio, porém, o cantor britânico é uma referência pela capacidade de fazer as pessoas dançarem e sentirem a música ao mesmo tempo. Essa combinação ajuda a entender a identidade da artista de origem polonesa, radicada na Holanda, que começou sua trajetória pelo techno e encontrou nos grooves do house uma sonoridade cada vez mais próxima de sua personalidade.

A relação com a música vem de muito antes das pistas. Pon Vio cresceu na Polônia durante o regime comunista, em um período em que a liberdade de expressão e o acesso à música eram limitados. Mais tarde, já na Holanda, construiu uma carreira de 25 anos no governo e atravessou experiências pessoais difíceis antes de decidir investir profissionalmente na música eletrônica. Em 2019, venceu uma competição de DJs que a levou ao Nighttown Fest Rotterdam, dividindo o line-up com Todd Terry e The Shapeshifters, e tocou na festa oficial AMF x T-Mobile Pre-Party durante o ADE. A trajetória também inclui apresentações em Portugal e Ibiza e sua passagem pela Pete Tong DJ Academy, em 2023.

Hoje, essa experiência ganha uma dimensão que vai além da própria carreira. Fundadora do DJ Talent Room, Pon Vio criou uma plataforma dedicada a desenvolver novos talentos e aproximar artistas de diferentes gerações. Em outubro, o projeto dá dois passos importantes em Amsterdã: o SONI·KIN, em 15 de outubro, no The Brokers Bar, e o House Legends × Future Icons, em 24 de outubro, durante o ADE 2026. Com Francisco Allendes, Jaydee e outros nomes dividindo o line-up com DJs em ascensão, o encontro traduz a proposta da iniciativa de ampliar conexões e oportunidades dentro da cena eletrônica.

Enquanto desenvolve o DJ Talent Room, Pon Vio também segue explorando sua identidade em estúdio. Depois de “Phones Away” (2025), lançou “Freak It” em agosto deste ano, ambas pela RIM, com uma sonoridade marcada por grooves envolventes, linhas de baixo e influências de suas raízes no techno.

Para o Get To Know da Mixmag Brasil, a artista fala sobre as escolhas que marcaram sua vida, as referências que moldaram seu som e os projetos que prepara para o ADE, além de compartilhar como sua própria história influenciou a vontade de abrir caminhos para outros DJs.

Q+A: Pon Vio

Seu single “Freak It” marca um novo capítulo na sua sonoridade. Qual é a ideia por trás da faixa?

“Freak It” é sobre se soltar, sair um pouco da própria cabeça e aproveitar o momento. Adoro linhas de baixo quentes e envolventes, com grooves que fazem você querer dançar sem nem precisar pensar.

Essa também é a ideia por trás da minha faixa anterior, “Phones Away”: “Guarde o celular e viva o momento”. Adoro ver as pessoas se olhando nos olhos, rindo e se entregando completamente à música. Nem todo momento bonito precisa ser filmado, certo? Haha!

Com “Freak It”, estou explorando uma direção mais quente e cheia de groove, mas mantendo a energia das minhas raízes no techno. Quero fazer músicas que façam as pessoas se sentirem bem, que as aproximem e que deem a elas a liberdade de simplesmente serem quem são na pista de dança.

Você começou tocando techno antes de encontrar sua identidade no house e no tech house. Como aconteceu essa transição?

Foi com o techno que tudo começou para mim. Eu adorava as batidas intensas, a tensão e a energia, e ainda gosto de tocar techno de vez em quando. Com o passar dos anos, porém, descobri que o house, o tech house e o deep house tinham muito mais a ver com quem eu sou. Tem alguma coisa nesses grooves quentes e ritmos divertidos a que simplesmente não consigo resistir.

Minha maior inspiração musical é George Michael. Talvez não seja o primeiro nome que você esperaria ouvir de uma DJ de house! Haha. Mas ele tinha uma capacidade incrível de fazer as pessoas dançarem e sentirem alguma coisa ao mesmo tempo. Na música eletrônica, me inspiro em Manda Moor, Alev Tav, Francisco Allendes, Jaydee, Theia (ES) e Joëlla Jackson, cada um com sua sonoridade particular.

2019 foi um verdadeiro ponto de virada. Venci uma competição de DJs e conquistei uma vaga no Nighttown Fest Rotterdam, dividindo o line-up com artistas como Todd Terry e The Shapeshifters. Durante o ADE daquele ano, também toquei na festa oficial AMF x T-Mobile Pre-Party, na Johan Cruijff ArenA. Lembro de pensar: “Uau, Violet, você está mesmo aqui!”.

Desde então, me apresentei em lugares como Toffler e Hard Rock Cafe Amsterdam, além de Portugal e Ibiza.

O que mais amo em ser DJ é sentir a pista e construir uma jornada através da música. Quando você percebe a resposta do público e a pista inteira entra no mesmo groove, não existe nada parecido.

Você também é fundadora do DJ Talent Room. O que despertou em você a vontade de criar uma plataforma para DJs em início de carreira?

Sei por experiência própria o quanto significa quando alguém acredita em você e lhe oferece uma oportunidade.

O DJ Talent Room nasceu dessa experiência. A ideia é aproximar DJs, amantes da música e profissionais da indústria, criando oportunidades para aprender, evoluir e se apresentar. Por meio de aulas, coaching, mentorias e eventos, ajudamos os artistas a descobrir sua própria sonoridade e desenvolver confiança.

Uma das coisas de que mais gosto é ver alguém passar de uma pessoa nervosa atrás dos decks para alguém que realmente está curtindo sua apresentação. Ver essa confiança crescer é maravilhoso.

Acredito em compartilhar conhecimento e abrir portas uns para os outros. Talento não é definido por idade, origem, contatos ou número de seguidores. Paixão, dedicação e individualidade importam muito mais para mim.

Sempre digo: “A música não tem prazo de validade. E, felizmente, os sonhos também!”.

Durante o ADE, você apresenta o House Legends × Future Icons. Qual é a proposta por trás do evento?

O House Legends × Future Icons é sobre conectar gerações, tanto atrás dos decks quanto na pista de dança.

No dia 24 de outubro, no ARCA Bar, dentro do art'otel Amsterdam, Francisco Allendes, Jaydee e outros DJs incríveis vão dividir o line-up com novos talentos. Adoro essa combinação de experiência com energia nova. Cada pessoa traz algo diferente, e temos muito a aprender uns com os outros.

Algo especialmente importante para mim é fazer com que todos os artistas se sintam bem-vindos e valorizados desde o momento em que chegam. Seja alguém que se apresenta internacionalmente há anos ou alguém que está começando agora, todos merecem o mesmo respeito e atenção.

Estou muito animada por trabalhar com o art'otel Amsterdam, a XPENG, nossa parceira oficial de mobilidade, e a Pure Ibiza Radio, que vai entrevistar os artistas. É ótimo contar com parceiros que nos ajudam a criar uma experiência memorável para todos os envolvidos.

Também vamos realizar o SONI·KIN no dia 15 de outubro, no The Brokers Bar.

No fim das contas, quero que as pessoas descubram músicas incríveis, conheçam alguém novo e saiam com um grande sorriso no rosto. Porque, quando você está na pista de dança, sua idade, sua origem ou seu cargo profissional não importam.

“Na pista de dança, somos todos iguais.”

A música teve um papel muito mais profundo na sua vida do que simplesmente ser uma carreira. Como sua trajetória pessoal moldou a artista que você é hoje?

A música sempre foi meu porto seguro. Desde que consigo me lembrar.

Cresci na Polônia durante o regime comunista, quando a liberdade de expressão e o acesso à música não eram coisas que podíamos considerar garantidas. A música me dava uma sensação de liberdade, um lugar onde eu podia sonhar e me sentir eu mesma.

Mais tarde, passei por um período extremamente doloroso na Holanda. Fui afetada pelo escândalo dos benefícios para creches do governo holandês, e meus filhos foram colocados sob cuidados institucionais. Como mãe, isso mudou minha vida. É algo que ainda carrego comigo.

Durante tudo isso, a música continuou fazendo parte de quem eu era. Atrás dos decks, eu conseguia respirar, me reconectar comigo mesma e encontrar novamente momentos de alegria.

Depois de 25 anos trabalhando no governo, decidi levar minha paixão pela música a sério e construir minha própria iniciativa. Foi um passo enorme. Definitivamente houve momentos em que pensei: “Violet, onde é que você foi se meter?”. Haha! Mas eu sabia que queria dar uma chance de verdade a esse sonho.

Entrar para a Pete Tong DJ Academy em 2023 me deu ainda mais confiança e direção. Também sou imensamente grata ao meu querido amigo Ferry e aos amigos que continuaram acreditando em mim. O apoio deles me lembrou da diferença que uma única pessoa pode fazer na vida de alguém.

Essa crença está no coração tanto do DJ Talent Room quanto do Hart Tot Hart. Por meio dessas iniciativas, quero conectar pessoas, incentivá-las e ajudá-las a descobrir do que são capazes. Aprendi que podemos conquistar muito mais quando apoiamos uns aos outros.

Não posso mudar meu passado, mas posso escolher o que faço com minha vida hoje. E, neste momento, estou animada com as músicas que ainda quero produzir, os lugares onde quero tocar e as pessoas que ainda vou conhecer.

Uma coisa é certa: ainda estou muito longe de parar de tocar!

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Imagens: Divulgação

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