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Artists to Watch

Conheça Fernando Eirin, o sulamericano que transforma música eletrônica em manifesto político

O artista posiciona sua arte como resistência cultural em tempos de homogeneização da cena eletrônica

  • Marllon Gauche
  • 26 January 2026

Fernando Eirin acredita que música eletrônica pode (e deve) ser mais que entretenimento. O produtor uruguaio de 40 anos desenvolveu uma abordagem artística que transforma som em manifesto político, questionando as dinâmicas comerciais que dominam a cena atual.

Sua jornada artística começou tardiamente, mas de forma intensa. Após anos como DJ no Uruguai e uma mudança para Madrid em 2019, Fernando passou por um processo profundo de introspecção que culminou em 2022, quando aos 37 anos começou a compor do zero.

"Algo dentro de mim despertou novamente. Coloquei os fones, sentei em frente ao computador sem qualquer treinamento ou teoria e começei", relembra sobre os primeiros passos na produção.

Suas primeiras criações - ‘El Remanso’, ‘El Olvido’ e ‘Mariposas’ - foram feitas apenas com fones de ouvido, um mouse e seu computador, demonstrando uma abordagem intuitiva e visceral à música. "Através do som, encontrei uma linguagem para minhas emoções mais íntimas. A criação tornou-se catarse. Cura. Obsessão", define sobre seu processo criativo.

Em 2025, Fernando inaugurou seu selo independente Cala Music com ‘Vindication’, uma faixa conceitual que funciona como manifesto contra o autoritarismo. “‘Vindication' é mais do que música - é uma obra conceitual. Como uma pintura sem moldura, convida o ouvinte a interpretar e sentir", explica sobre o lançamento.

A faixa explora tensões entre forças opressoras e vozes de resistência, utilizando camadas e atmosferas densas para criar narrativa política sem palavras. "É a minha forma de estar ao lado dos movimentos que lutam pacificamente por mudanças. É um chamado ao despertar", posiciona Fernando sobre sua música como ferramenta de ativismo.

Sua crítica à indústria é contundente. Fernando identifica uma transformação negativa pós-pandemia, onde fundos de investimento assumiram controle de festivais e clubes, priorizando lucro sobre qualidade artística. "Eles simplesmente não se importam. Para eles, tanto faz um projeto imobiliário ou um festival de música", critica sobre a financeirização da cena.

Essa posição o coloca conscientemente contra as estruturas dominantes da indústria. "Ao longo deste ano aprendi que, de certa forma, estou indo contra o sistema atual. Muitas pessoas não gostam disso", reconhece, mas mantém integridade como princípio inegociável. "A integridade artística é inegociável. Se um dia eu deixar de ser fiel a mim mesmo, esse será o fim."

Fernando também questiona a superficialidade atual da música eletrônica, criticando a tendência de encurtar faixas para algoritmos e a homogeneização sonora. "Os verdadeiros donos da indústria estão transformando a música eletrônica em algo curto e chiclete. A música eletrônica foi feita para expandir fronteiras, não para limitá-las", argumenta.

Para o futuro, Fernando planeja expandir Cala Music como plataforma de resistência cultural, envolvendo seguidores em decisões e desenvolvendo iniciativas musicais e sociais. "Não é apenas mais um artista para apoiar. Aqui, a comunidade precisa ser mais importante do que eu", define sobre sua visão colaborativa.

Em breve, ele também deve lançar oficialmente sua próxima track, ‘Rosedal’, uma faixa que tornou-se uma homenagem à natureza e aos animais e que, de certa forma, crítica o impacto severo das mudanças climáticas no meio ambiente.

É através dessas “mensagens subliminares” que Fernando Eirin prova que música eletrônica pode (e deve) transcender entretenimento para se tornar ferramenta legítima de questionamento social e resistência política.

Siga Fernando Eirin no Instagram

Imagens: Divulgação

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