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M0XX retoma uma antiga vida musical para construir seu próprio “neon techno”

Professor e pesquisador em Oslo, Andreas Moxnes voltou à produção anos depois de deixar a música profissional e apresenta agora Parallel Lives, seu debut álbum

  • Marllon Gauche
  • 22 September 2026

M0XX existe há pouco mais de um ano, mas dizer que Andreas Moxnes está começando agora na música não seria exatamente correto.

Antes de construir uma carreira como pesquisador e professor em Oslo, na Noruega, ele já havia composto para teatro e dança, integrado bandas e excursionado pela Europa. Depois de anos com a produção em segundo plano, decidiu voltar e criou o projeto que hoje concentra essa nova fase.

Desde o início, Andreas vem desenvolvendo som, conceito e identidade visual em conjunto.

Há uma estética retrofuturista e neon acompanhando uma música escura e energética, atravessada por melodias, synths luminosos e uma carga emocional que aparece de formas diferentes ao longo de suas produções.

É daí que vem a expressão que ele próprio usa para resumir sua sonoridade: “neon techno”.

“A base é uma música eletrônica escura e pulsante, combinada com synths luminosos, melodias, atmosfera cinematográfica e contrastes emocionais fortes”, explica. “Quero que soe direto, emocional e futurista, e não excessivamente clínico.”

O techno aparece como base, mas M0XX também se aproxima de uma eletrônica mais cinematográfica e melódica, alternando momentos voltados à pista com outros mais introspectivos. Entre suas referências estão Underworld, Orbital, LFO, Speedy J, Vitalic, Amtrac, Guy J, Cirez D, GusGus e Röyksopp.

Fora da eletrônica, Andreas também carrega uma relação forte com o jazz, especialmente com Bill Evans e Jan Johansson, que influenciaram sua maneira de pensar harmonia, melodia e atmosfera. “Tenho uma paixão profunda por jazz. Provavelmente isso aparece de maneira menos óbvia no som do M0XX, mas teve uma influência muito forte na maneira como penso música.”

Essa identidade ganhou sua primeira forma completa em Parallel Lives, álbum de estreia lançado em agosto. As músicas foram compostas em momentos diferentes, mas aos poucos Andreas percebeu que compartilhavam um mesmo universo e poderiam formar um único trabalho.

O título não fala apenas da coexistência entre sua vida acadêmica e musical. O disco também nasceu durante um período marcado por diferentes relações, desejos, perdas e possibilidades de futuro. Essa experiência acabou chegando às músicas através de temas como amor, controle, culpa, identidade e transformação, enquanto a sonoridade alterna peso, melancolia e elementos mais luminosos.

“Muitas músicas estão circulando pelas mesmas questões: amor, perda, controle, desejo, identidade e a tensão entre diferentes vidas possíveis”, conta. Para Andreas, concluir o álbum também representou uma forma de colocar uma moldura em torno daquele período e começar a direcionar o projeto para outro lugar.

Do estúdio para o palco

Esse novo momento passa agora pelas apresentações ao vivo. As primeiras datas europeias começam já neste mês de setembro, incluindo uma passagem pelo Le Rachdingue, na Espanha, club underground com mais de cinco décadas de história e que já recebeu nomes como Jeff Mills, Carl Craig, Richie Hawtin e Oscar Mulero.

Ao mesmo tempo, M0XX pretende ampliar a circulação do projeto entre Europa e América Latina, com novos singles, colaborações e mais apresentações nos próximos passos.

Depois de usar Parallel Lives para estabelecer sua identidade musical e visual, Andreas começa agora a testar como esse universo pode crescer para além do álbum e do estúdio.

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Photos: Divulgação

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