Interviews
Conheça e mergulhe no universo musical de SIB em entrevista exclusiva
Artista parisiense fala sobre início de carreira, residências, produção musical, curadoria e os desafios da cena eletrônica atual
SIB não construiu sua trajetória a partir de um grande momento de virada. A história dele é mais simples - e talvez por isso mais sólida. Ele começou cedo, tocou muito, em muitos lugares diferentes, e nunca se afastou da música por completo, mesmo quando sua vida tomou outros caminhos fora da pista.
Parte importante dessa construção acontece em Paris, especialmente por conta de sua longa residência no Mirage Paris, que começou em 2022 e perdura até hoje.
Lá, SIB tem tempo para experimentar, testar ideias, pensar sets e entender, na prática, como funciona a relação entre DJ e público ao longo de uma noite inteira. Foi nesse tipo de contexto que sua forma de tocar ganhou corpo: totalmente atento à leitura do público e da pista.
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Ao mesmo tempo, sua atuação nunca ficou restrita à cabine. Além de tocar, SIB se envolveu na curadoria e produção de eventos por meio de projetos como Dust, Akira e Thème, ajudando a montar lineups e pensar experiências de clube de forma mais ampla.
Como produtor, lançou músicas por selos como Family N.A.M.E, Temps Libre, Harabe, Konflict e Natura Viva, e passou a circular por palcos importantes, incluindo Beat, em Londres, Momento, em Marbella, L'Aventure, emParis, além dos festivais Moni, em Mykonos, e Nomadas, em Portugal.
Entre tocar, produzir e pensar a cena de forma mais ampla, SIB desenvolveu uma visão bastante prática sobre a cultura clubber - sem idealizações excessivas e com os pés no chão.
Na entrevista a seguir, ele fala sobre como começou, as influências que moldaram seu som, os momentos-chave da trajetória e também sobre temas menos confortáveis, como o excesso de lançamentos, a pressão por produtividade constante e os desafios de se manter motivado.
Q+A: SIB
Olá, SIB. Obrigado por nos receber. Você disse que começou muito cedo na música e passou por ambientes bem diferentes ao longo da carreira. Olhando para trás, o que mais te formou como artista: o tempo, os lugares onde tocou ou as pessoas com quem dividiu a pista?
Olá, e obrigado por estarem aqui! Sim, toquei no meu primeiro clube aos 15 anos e, honestamente, foi um pouco de tudo. Estou nessa há tempo suficiente para ver tendências irem e virem, então o tempo definitivamente te molda. Os lugares também importam, porque cada pista, cada sistema de som muda a forma como a música é sentida.
Mas, no fim das contas, é realmente sobre as pessoas na pista de dança. É ali que você mais aprende. Sentir como a pista se conecta, saber quando pressionar, quando desacelerar - isso não dá para fingir. Ver as pessoas se perderem no momento é o que me mantém motivado e me lembra por que comecei em primeiro lugar.
Sua residência no Mirage Paris é sem dúvidas um momento fundamental da sua trajetória. O que essa experiência te ensinou que gigs pontuais dificilmente conseguem ensinar?
O Mirage foi o primeiro lugar que me deu uma chance, e rapidamente passou a parecer minha casa. Não era apenas mais um clube, era um espaço onde eu podia crescer.
Tocar muitos sets all night long lá mudou a forma como eu toco. Quando você passa a noite inteira com o mesmo público, aprende a construir algo ao longo do tempo, em vez de tentar dizer tudo de uma vez.
Como o público é formado por frequentadores assíduos, existe uma confiança real. E esse tipo de relação com uma pista é algo que gigs pontuais simplesmente não proporcionam.
Seu som hoje transita entre indie dance, house, tech house e melodic techno, mas sem uma preocupação clara em se encaixar em um rótulo. Em que momento você percebeu que essa fluidez era mais honesta do que tentar se definir por um gênero específico?
Honestamente, isso aconteceu de forma bem natural. Quanto mais eu tocava, menos sentia necessidade de me encaixar em um único gênero. Eu simplesmente toco a música que amo, a música que faz sentido naquele momento. Alguns shows pedem indie dance, outros house ou sons mais melódicos. Tudo depende muito do contexto.
Além da cabine, você atua ativamente como curador e parceiro de projetos como Dust, Akira e Thème. Pode nos contar mais detalhes de como isso funciona e como essas experiências fora do booth influenciam suas escolhas como DJ e produtor?
Está tudo bastante conectado, na verdade. Trabalhar nesses projetos significa que estou constantemente descobrindo novos artistas e sons, e isso naturalmente alimenta o que eu toco e produzo.
Também faz você dar um passo atrás. Você pensa menos em si mesmo e mais em como a noite funciona como um todo, e isso definitivamente influencia a forma como eu toco.
A cena eletrônica vive hoje um volume massivo de artistas, lançamentos e estímulos constantes. Como você enxerga esse cenário: mais diversidade ou mais competição por atenção?
É bom em termos de diversidade, com certeza. Há muito mais música e muitas vozes diferentes, mas, ao mesmo tempo, sai tanta coisa que isso pode acabar afetando a qualidade geral.
Existe hoje uma pressão clara para que DJs produzam de forma recorrente e estejam sempre lançando algo novo. Como você lida com essa cobrança? Seu catálogo, inclusive, ainda é bem enxuto… é algo que você pretende apostar mais em 2026?
Sim, definitivamente existe essa pressão para lançar o tempo todo, isso faz parte da cena hoje. Eu sempre me senti mais confortável em levar meu tempo com a música.
Mas sinto que estou entrando em uma fase em que quero compartilhar um pouco mais, e 2026 provavelmente vai refletir isso. O primeiro lançamento do ano sai no dia 12 de fevereiro pela Konflict Records.
O que ainda te motiva a entrar na cabine depois de tantos anos tocando? E o que, hoje, já não faz mais sentido dentro da cultura de clube para você?
O que ainda me motiva é, honestamente, o amor por isso. Existe algo muito bonito em proporcionar um bom momento para as pessoas através da música.
O que às vezes parece um pouco perdido hoje é esse senso de união, e isso é uma pena, porque esse sentimento coletivo é o que torna tudo especial desde o começo.
Mixmag BR: Olhando para frente, como você projeta 2026 e o que pretende alcançar na parte artística? Obrigado pela conversa!
Olhando para o futuro, eu só quero continuar fazendo o que amo: reunir pessoas através da música.
Seja como DJ, produtor ou curador de eventos, isso é realmente o que importa para mim.
Muito obrigado pela conversa - foi um prazer.
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Imagens: Divulgação

