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Conheça Cabar, artista que transforma ancestralidade rítmica em música eletrônica brasileira
Após estrear com ‘Confissão’ pela Cafe De Anatolia, projeto apresenta seu segundo single pela Past & Future, sub selo da Sweet Music
Cabar é um projeto brasileiro que nasceu a partir da ideia de criar uma música eletrônica brasileira que vá além do uso pontual de samples, timbres ou referências reconhecíveis.
Inspirado pelo Organic House, Deep House e Downtempo, o projeto busca aproximar bases rítmicas brasileiras e sul-americanas de uma construção eletrônica atual, com percussões, baixos marcados, texturas orgânicas e elementos digitais.
Na pista de dança, essa proposta se transforma em um ritual conduzido pelo corpo e pelo tempo, com o inconsciente coletivo marcado pelos tambores e materializado no groove do baixo.
“O que move o conceito principal do Cabar é o instante sensorial provocado pela música, a coletividade e a construção simbólica do ritual da música”, explica o artista. “A ideia é resgatar a música como uma ponte para outro estado de consciência.”
Criado há menos de um ano, o projeto começou a desenhar sua identidade através de ‘Confissão’, lançada em março pela Cafe De Anatolia, faixa que apresentou uma primeira leitura do Cabar para o house orgânico a partir de elementos brasileiros como tamborim, pandeiro, repique e referências ao samba de roda.
Agora, o projeto dá sequência a esse caminho com seu segundo lançamento, assinado pela Past & Future, braço da gravadora Sweet Music, e disponibilizado como free download.
‘Linha do Tempo”’ nasceu a partir de um convite para remixar uma música com referências ligadas ao rock, aos anos 80 e ao synthwave. Na versão de Cabar, esse ponto de partida foi reorganizado em uma leitura mais rítmica, orgânica e próxima da identidade que o projeto vem construindo.
“Nessa produção, o objetivo foi elevar a vibe e a essência dessa estética 80 e synthwave, combinando com a assinatura musical do Cabar, principalmente através da construção de uma nova linha rítmica para a música”, explica.
A ideia não foi apenas adaptar a faixa original para a pista, mas deslocar sua atmosfera para outro ambiente sonoro. O remix preserva parte da essência da composição, mas cria uma nova estrutura ao redor dela, com camadas, percussão e uma condução mais alinhada ao universo musical do Cabar.
Segundo o artista, a letra original também dialoga com temas atuais ao falar sobre a superficialidade das redes sociais e sobre como a imagem projetada nesses ambientes pode se tornar “um dublê falso” de quem somos.
Essa sequência de lançamentos ajuda a apresentar o projeto. Em vez de se apoiar numa estética mais padronizada do house/afro house, o artista brasileiro busca um som mais autoral, ligada à pesquisa de ritmos brasileiros e à criação de uma identidade que possa dialogar com a pista sem perder relação com suas matrizes culturais.
“Uma das grandes influências são os artistas que trazem identidade, pluralidade cultural e novas leituras para dentro do house”, afirma. “Conceitualmente, também existe a influência prática e filosófica da Cabala Hermética e da Psicologia analítica de Carl Jung.”
Mesmo em seus primeiros meses, o projeto já acumulou alguns marcos importantes. Além do lançamento pela Cafe De Anatolia, Cabar assinou mixes para a Obenmusik Berlin, foi destacado como Artist of the Week na Frisky Radio NYC, gravou um mix para a label Connect e participou do Hub, projeto voltado a DJs brasileiros emergentes.
O projeto também mantém uma residência mensal na Function FM com o programa House Ritual e integra o núcleo de DJs residentes da Portal, festa underground sediada no litoral do Rio de Janeiro.
Ainda em fase inicial, Cabar já deixa claro o tipo de caminho que pretende seguir: desenvolver uma sonoridade brasileira dentro do house, evitando os caminhos mais óbvios e focando principalmente em uma estética que une pesquisa rítmica e uma visão própria sobre a cultura de pista.
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Imagens: Divulgação

