William Kiss: conheça o australiano que tem apresentado o seu “Power House” para o mundo
Produtor de Melbourne é nome por trás da label not without friends e dono de uma estética marcada por groove, percussão e energia de pista
A trajetória de William Kiss não tem o brilho de uma ascensão meteórica, mas a consistência de quem entende que um estilo próprio se constrói com tempo e, principalmente, com experimentação e diversão. Nascido em Melbourne e influenciado por disco, funk, soul, rock, world music e house, o produtor encontrou na percussão e no groove os elementos que definem sua assinatura.
Seu amigo Mathias Kaden, também DJ e produtor, descreveu esse estilo como “Power House” - uma fusão entre o balanço do house e a força de pista do techno peak-time, onde basslines densos, bateria com presença e um senso de urgência estão sempre em primeiro plano fazendo a pista não parar de dançar.
Essa estética o levou a construir um catálogo respeitado. William já soma mais de 8 milhões de streams e assinou alguns de seus trabalhos mais importantes em selos como Gudu (Peggy Gou), UNCAGE (Marco Faraone), Rekids (Radio Slave), Club Bad (Melé) e 23rd Century (Carl Cox), ilustrando a amplitude do seu alcance e como seu som, apesar de pesado, encontra espaço em diferentes perspetivas do underground.
Nos palcos, sua presença também se expandiu de maneira orgânica, passando por festivais como Beyond The Valley e por uma turnê europeia que incluiu clubes de grande relevância, entre eles o lendário Cocorico, na Itália.
Apesar do impacto solo, uma parte essencial da história recente de William passa pelo projeto not without friends, criado ao lado de Luke Alessi e Jordan Brando. Mais do que uma colaboração pontual, o trio funciona como um espaço de troca criativa onde cada integrante influencia o outro a experimentar novos caminhos.
Juntos, eles lançaram o próprio selo, estrearam na Europa com apresentações no Hï Ibiza e no Night Tales e têm no horizonte um remix de um dos maiores clássicos do house das últimas duas décadas - um passo que deve ampliar ainda mais a visibilidade do projeto.
Esse espírito colaborativo também aparece na forma como William se posiciona na cena: para ele, apoiar outros artistas, tocar suas faixas e dar crédito público faz parte da responsabilidade de quem ocupa um lugar ativo na comunidade.
Seu trabalho dialoga diretamente com movimentos e artistas que valorizam risco e autenticidade. Entre suas referências mais marcantes estão o senso de liberdade estética da ANOTR e a precisão quase artesanal das produções de Leod, mas essas influências servem apenas como impulso: William não tenta replicar nenhuma delas.
Sua abordagem atual é guiada por diversão, curiosidade e um compromisso com a experimentação, seja explorando novos timbres, tensionando limites de gênero ou buscando aquela sensação de euforia que certas tracks provocam quando tocadas no momento certo da pista.
Se a disciplina técnica o mantém consistente, é a sua intuição e a recusa em se acomodar que o coloca entre os nomes mais interessantes surgindo da Austrália hoje.
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Imagens: Divulgação

