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Interviews

THEUSS e o momento de consolidação de uma nova geração da house music brasileira


Produtor vive fase marcada por turnês internacionais e pelo lançamento do EP Forever Is A Long Time pela Anims

  • Nazen Carneiro
  • 12 March 2026

A cena eletrônica brasileira tem revelado uma nova geração de produtores que começa a ganhar espaço em circuitos internacionais. Entre esses nomes, THEUSS vem consolidando presença por meio de lançamentos em gravadoras relevantes, apresentações fora do país e suporte recorrente de artistas influentes da cena global.

Esse momento da carreira ganha um novo capítulo com o lançamento do EP Forever Is A Long Time, disponibilizado em 6 de março pela Anims, selo do duo Pole Position. O trabalho reúne duas faixas, “Forever Is A Long Time” e “What U Want”, e representa uma fase que o próprio produtor descreve como de amadurecimento sonoro.

O lançamento acontece após um período intenso de circulação internacional. Em 2025, THEUSS realizou cinco turnês fora do Brasil, passando por cidades como Ibiza, Lisboa e Madri. Um dos momentos marcantes foi sua estreia em Ibiza, no Akasha, onde assumiu a cabine em horário de pico após o set de Matthias Tanzmann. Além disso, o produtor também lançou músicas por gravadoras como HABITAT Records, dos italianos Mind Against, Frau Blau e AZZUR.

Ao longo desse período, suas produções apareceram em sets e playlists de artistas como &ME, Adam Port e Rampa, do coletivo Keinemusik, além de Black Coffee, Pete Tong, WhoMadeWho, Yotto e Andhim.

Na cabine, o produtor tem presença constante no Rio de Janeiro e São Paulo além de ter se apresentado em eventos e clubs como Piknic Electronik, Watergate, Warung Beach Club, D-EDGE, The Mirror, Bloom e Água Viva.

A conexão com a Anims surgiu a partir do contato com Squire, integrante do Pole Position. Após a troca de demos e a identificação de uma afinidade sonora, o lançamento do EP foi confirmado pela gravadora. A parceria também resulta em uma colaboração futura entre o artista brasileiro e o duo.

Musicalmente, THEUSS define seu projeto dentro de uma abordagem de house contemporânea, onde o groove funciona como base das produções, frequentemente acompanhado por vocais ou melodias marcantes. Para o produtor, no entanto, mais importante que a técnica é garantir que cada faixa carregue identidade própria.

Nos próximos meses, o projeto entra em uma nova fase. THEUSS decidiu estabelecer Barcelona como base, buscando ampliar seu contato com novas pistas, públicos e contextos criativos. Para saber mais sobre isso e muito mais, Nazen Carneiro bateu um papo com THEUSS, que você confere com exclusividade aqui na Mixmag Brasil.

Q+A: THEUSS

Como surgiu a conexão com a gravadora Anims, selo do duo Pole Position?

Eu acompanho o Jaime (Squire), integrante do duo já faz um bom tempo, desde antes da existência do projeto Pole Position. Ele era conhecido por ter sido piloto de Fórmula 1.

Por coincidência, eu estava no Warung no dia que o Pole Position fez uma de suas primeiras, ou talvez a primeira apresentação no Brasil e me conectei muito com o estilo de som que eles estavam tocando na época, pois era bem parecido com o que eu estava produzindo.

Fiz então o primeiro contato com o Jaime e começamos a trocar ideias. Pouco tempo depois, enviei algumas demos pra label, e de cara ele já curtiu as tracks que mandei.

A nossa conexão sonora foi tão legal, que acabamos fazendo um som juntos. Em breve teremos o lançamento de uma faixa chamada "Waiting For So Long", uma collab minha com o Pole Position.

O lançamento das faixas "Forever Is A Long Time" e "What U Want" marca um novo momento no seu projeto artístico? Se sim, de que forma?

Marca um momento de maturidade sonora, um EP de duas faixas sólidas em uma das labels mais legais do meu segmento atualmente.

Foi pouco mais de 1 ano de espera desde que enviei as demos até a data do release, mas finalmente rolou e estou muito feliz com esse lançamento.

Quando você está produzindo música, o que normalmente vem primeiro: a ideia conceitual da track, o groove, a melodia ou a atmosfera?

Não tem uma fórmula mágica, cada ideia surge de um jeito completamente diferente da outra. O importante é que cada som tenha alma.

Como você observa a evolução da cena eletrônica atualmente, especialmente em relação às novas gerações de produtores?

Vejo que está tudo acontecendo rápido demais, e diria que os novos produtores nunca tiveram tanta oportunidade para serem ouvidos como atualmente.

Claro que isso aumenta também a concorrência, muitos artistas fazendo músicas muito boas. A molecada nova vem cada vez mais forte com a produção musical, vários artistas jovens fazendo uma sonzeira.

Na sua visão, o que diferencia um artista que apenas produz música de um artista que constrói uma identidade consistente ao longo do tempo?

Produzir música nunca foi tão fácil, com ajuda de AI, sample packs, tutoriais na internet, e várias ferramentas que aceleram o processo.

A parte difícil é fazer música com alma, com identidade. Isso só pode ser feito com muito estudo, dedicação e comprometimento, e leva tempo.

Artistas que conseguem construir uma identidade consistente alcançam patamares muito mais altos dentro desse mercado. Acho que é o que todo DJ/produtor musical almeja pra sua carreira.

O que o público pode esperar das próximas fases do projeto THEUSS?

Sinto que preciso buscar novos desafios, então decidi passar um tempo fora do país para amadurecer meu som, como fiz em 2016 quando morei na Austrália, e em 2019 quando morei em Portugal.

Sair da zona de conforto faz a gente evoluir muito, e é isso que quero pra minha carreira. Barcelona será minha nova casa, e espero conseguir entregar cada vez mais qualidade como DJ e Produtor.

Se tivesse que definir o momento atual da sua carreira em poucas palavras, como você descreveria?

Evolução pessoal, amadurecimento sonoro e grandes desafios.

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Imagens: Divulgação

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