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Pedro Gariani lança ¡Queer Y Latina!, nova label voltada a artistas Queer e latino-americanos
À Mixmag Brasil, o artista fala sobre a criação da label, identidade, os primeiros lançamentos ‘Su Beijo’ e ‘Saci’ e os próximos passos do projeto
Depois de anos dividindo sua atuação entre a cabine, a produção, a curadoria e projetos como a Cardume e o Starlane, em São Paulo, Pedro Gariani chega a 2026 abrindo uma nova frente de trabalho com a ¡Queer y Latina!.
Criada como uma label voltada a artistas queer e latino-americanos, a iniciativa nasce com um catálogo que pretende refletir diferentes cenas e referências da região, sem se prender a uma única sonoridade.
A estreia veio com ‘Su Beijo’, faixa do próprio Gariani, e o segundo lançamento já está marcado para 25 de setembro, quando chega ‘Saci’ - o pré-save já está disponível neste link.
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Inspirada em um dos personagens mais conhecidos do folclore brasileiro, ‘Saci’ também antecipa parte do caminho que Pedro pretende explorar com a gravadora, conectando suas próprias referências culturais à pista enquanto prepara o primeiro VA da label para o fim do ano.
À Mixmag Brasil, Gariani fala sobre a criação da ¡Queer y Latina!, o que diferencia esse projeto das outras frentes em que já atua, os dois primeiros singles e como pretende construir o catálogo daqui para frente.
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Q+A: Pedro Gariani
Pedro, obrigado por conversar com a gente. Você já atua em várias frentes da cena, como DJ e produtor, além da Cardume, do Starlane e de outros projetos. Quando surgiu a vontade de criar a ¡Queer y Latina! e o que você queria fazer de diferente com esse novo selo?
A ideia da ¡Queer y Latina! começou a tomar forma quando percebi dois movimentos acontecendo ao mesmo tempo. De um lado, um interesse global cada vez maior pela música latina; do outro, uma geração de artistas queer muito talentosos, mas ainda com poucas estruturas capazes de conectar essas diferentes cenas e dar suporte para que seus trabalhos alcancem outros públicos e territórios. Foi desse cruzamento que surgiu a vontade de criar a gravadora.
O que eu quero fazer de diferente é construir uma plataforma que não se limite a lançar músicas, mas que invista nesses artistas, aproxime pessoas de diferentes países e ajude a apresentar internacionalmente a diversidade da nossa produção. Apesar de já existirem gravadoras trabalhando com sonoridades latinas há muitos anos, ainda vejo as cenas muito concentradas em seus próprios contextos locais. A ¡Queer y Latina! busca criar pontes entre elas e, com isso, ampliar a força coletiva desses artistas.
Também não quero definir uma única estética para o selo. Assim como a cultura latina é muito rica e plural, o catálogo deve reunir diferentes visões e interpretações sobre o que pode ser a música eletrônica queer e latina. Ter “Latina” no nome é uma forma de afirmar essa identidade e, ao mesmo tempo, incentivar os artistas a olharem para suas próprias culturas, histórias e referências como fontes de inspiração criativa.
O próprio nome ¡Queer y Latina! já deixa bem clara a identidade do projeto. Como a ideia surgiu e como essas duas frentes vão entrar na curadoria da label? O que você procura em uma música para sentir que ela faz sentido dentro do selo?
O nome veio da vontade de fazer uma afirmação direta, sem esconder o propósito do projeto atrás de um conceito abstrato. “Queer” e “Latina” não são duas frentes separadas: o que nos interessa é justamente o encontro entre essas identidades e a diversidade de experiências que existem dentro dele. Também considero importante afirmar o Brasil como parte da América Latina, porque muitas vezes nós, brasileiros, falamos sobre latinidade como se estivéssemos fora dela.
Na curadoria, nenhuma dessas palavras determina um gênero musical. “Queer” não define uma sonoridade, mas indica quais artistas e perspectivas queremos colocar no centro. Da mesma forma, “Latina” não significa que toda faixa precise ter uma referência cultural óbvia, um sample tradicional ou determinado tipo de percussão. Essa identidade pode aparecer no ritmo, no vocal, na pesquisa, na história que inspira a música ou simplesmente na forma particular que cada artista quer se expressar.
Por isso, não procuro faixas que reproduzam uma fórmula da ¡Queer y Latina!. Quero construir um catálogo plural, reunindo diferentes ritmos, sonoridades e visões sobre o que pode ser a música eletrônica queer e latina a partir da perspectiva de cada artista que lança pelo selo.
“Su Beijo” foi escolhida para abrir o catálogo e mistura house, elementos de techno e percussões brasileiras como pandeiro e cuíca. Por que começar a história da ¡Queer y Latina! com essa faixa?
Escolhi “Su Beijo” para abrir o catálogo justamente porque a faixa promove esse encontro entre elementos tipicamente brasileiros, como o pandeiro e a cuíca, e referências sonoras mais reconhecidas internacionalmente como latinas. Até o título reforça essa aproximação ao combinar o espanhol de “su” com o português de “beijo”.
O fato de ser uma música acelerada e transitar entre o house e o techno também apresenta de maneira concreta a pluralidade que busco para o catálogo. Ela abre o selo com uma primeira interpretação do que pode ser a música eletrônica queer e latina, sem estabelecer uma fórmula para os próximos lançamentos.
Agora vem “Saci”, que leva essa relação com o Brasil ainda mais longe e parte de um personagem que esteve presente na sua infância. De onde veio a ideia da música e como o Saci acabou virando o tema da track?
Quando comecei a pensar nos caminhos que queria explorar dentro da ¡Queer y Latina!, uma das questões que me interessavam era como trazer a cultura brasileira para essa discussão sobre latinidade.
Muitas vezes, nós mesmos esquecemos de nos reconhecer como latinos. Para “Saci”, quis partir de uma referência que fosse muito brasileira, mas que também tivesse uma relação verdadeira com a minha história.
O Saci esteve muito presente na minha infância, principalmente por meio do Sítio do Picapau Amarelo, e a flauta usada por Gilberto Gil na trilha do programa foi uma das inspirações para a faixa.
A escolha do personagem também criou a oportunidade de trabalhar uma referência cultural brasileira de maneira mais ampla e levar essa história a novos públicos, principalmente a pessoas que não falam português e talvez ainda não conheçam o Saci.
A ideia é usar a música e o lançamento como formas de apresentar esse universo para além do Brasil.
As duas faixas mostram lados diferentes da sua produção. Isso também diz alguma coisa sobre o que podemos esperar dos próximos lançamentos? Além da estética latina, quais outros pontos de conexão você vai buscar para os próximos lançamentos?
Sim. As duas faixas mostram que os próximos lançamentos não vão seguir uma única fórmula. Minha produção transita por sonoridades diferentes, e um dos principais pontos de conexão entre elas está no processo colaborativo. Gosto muito de trabalhar com outras pessoas em estúdio, porque a troca de referências e visões sempre leva a música para lugares que eu talvez não alcançasse sozinho.
O Laércio colaborou comigo na produção de algumas faixas do projeto e foi uma pessoa importante para me ajudar a tirar diversas ideias do papel. Também trouxemos outros músicos para participar das gravações, como o Bica nos trombones e o Ignacio no piano, com quem já trabalhei em outros momentos e tenho uma conexão musical muito boa.
Acho que essa troca com outros artistas e a liberdade de explorar diferentes referências vão ser alguns dos principais fios condutores dos próximos lançamentos. Mais do que repetir uma sonoridade específica, quero que exista uma identidade na forma como essas músicas são construídas, mesmo que cada faixa possa seguir por caminhos bastante diferentes.
O primeiro VA da label está previsto para chegar até o fim do ano e vai colocar diferentes artistas dentro do mesmo projeto pela primeira vez. O que você já pode adiantar sobre essa compilação e sobre a curadoria que está sendo construída?
Estou muito animado com o VA. Embora “Su Beijo” e “Saci” tenham aberto o catálogo, esses dois primeiros lançamentos também estão servindo para estruturarmos internamente a dinâmica da gravadora, iniciarmos os canais de comunicação e consolidarmos nossos processos. O VA será o primeiro momento em que a proposta da ¡Queer y Latina! aparecerá de forma coletiva e, para mim, é o projeto que vai marcar de fato o lançamento da label.
Prevista para novembro, a compilação terá 13 faixas de artistas do Brasil, Argentina, Chile, México e Uruguai. A partir do próximo ano, a expectativa é lançar dois VAs por ano, um a cada semestre. Uma das prioridades dessa curadoria será dar espaço a artistas do maior número possível de territórios da América Latina, ampliando as referências, perspectivas e cenas representadas dentro do projeto.
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E para quem está produzindo no Brasil ou em outros lugares da América Latina e conhecendo a ¡Queer y Latina! agora: o que costuma fazer você prestar atenção em uma demo? O que você gostaria de encontrar nos artistas que vão fazer parte dos próximos capítulos da label? Obrigado!
Não tenho uma fórmula fechada para as demos. Estou em busca de músicas que tragam uma leitura do que pode ser “queer e latina” a partir da perspectiva pessoal de cada artista.
Se houver alguma referência cultural, isso pode acrescentar valor ao projeto, mas não é uma exigência e também não precisa aparecer de maneira literal.
Acima de tudo, a ¡Queer y Latina! é um projeto voltado para a pista de dança. Quero encontrar músicas capazes de conectar as pessoas nesse espaço e que tragam a identidade de quem as produziu.
Mais do que esperar um perfil específico dos artistas, quero conhecer diferentes formas de expressão e dar espaço para que cada pessoa contribua com a sua própria visão para o catálogo.
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Photos: nhthan
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