Search Menu
Home Latest News Menu
Interviews

Öwnboss estreia na label de Steve Angello e relembra ponto de virada

Após estrear pela Size Records com "To The Beat", artista celebra Top 1 no Beatport

  • Nazen Carneiro
  • 4 August 2026

“Uma decisão que na época pareceu irracional para muitos”. DJ brasileiro fala sobre a conquista de lançar pela gravadora de um de seus maiores ídolos.

Há 15 anos, Öwnboss fazia de tudo para assistir aos shows de Steve Angello no Brasil, inclusive, tomando uma decisão que pareceu irracional para muitos, mas que ele descreve como o investimento mais importante de sua vida. Agora, o produtor brasileiro fecha um ciclo ao estrear justamente na Size Records, gravadora comandada por um dos artistas que mais influenciaram sua trajetória, com a faixa “To The Beat”.

A conquista chega em um momento especial. Depois de emplacar "Bad Choices" no topo do Beatport, ampliar o alcance da sua própria gravadora, No Signal Collective, e manter uma intensa agenda internacional, Öwnboss destaca viver uma fase em que as escolhas criativas são guiadas menos pelas expectativas do mercado e mais pela conexão genuína com a própria música.

Para saber mais sobre estes e outros assuntos, o jornalista Nazen Carneiro bateu um papo com Öwnboss que você confere exclusivamente aqui, na Mixmag Brasil. Nesta entrevista, ele relembra a história por trás da estreia na Size, comenta o momento da cena eletrônica brasileira, fala sobre os planos para sua label e revela por que acredita que seu melhor ainda está por vir. Você está estreando na gravadora de Steve Angello, um dos nomes mais influentes da música eletrônica mundial.

Q+A: Öwnboss

Como surgiu o contato para o lançamento de “To The Beat” pela Size Records, e como foi o processo até a música ser aprovada?

Sim, muito feliz com essa conquista de lançar na Size Records. Desde que comecei a trabalhar com música eu tinha muita vontade de lançar algo com eles. São parte da história da música eletrônica mundial, assim como o próprio Steve Angello. Eles têm uma linha de som bem única, até meio exótica, e todos os envolvidos são produtores com opinião bem forte e sincera sobre música, uma visão muito certeira do que querem pra gravadora deles. Por isso é um desafio lançar lá, eles são bem criteriosos.

Depois de eu ter mandado inúmeras músicas e ideias, rolou essa collab com o Stadiumx e conseguimos o release. E tem uma porta de entrada anterior a isso: o Steve já vinha tocando meu remix de "Atom", que fiz com meu projeto Immersed. Esse remix chegou a ser cotado para sair oficialmente pela Size, mas como a faixa original já tem mais de 15 anos, rolou um problema de direitos. Mesmo assim, ele segue tocando até hoje, e foi isso que aproximou a gente para esse primeiro lançamento pela label.

Você já lançou por alguns dos principais selos da música eletrônica ao longo da carreira. O que torna essa estreia na gravadora do Steve Angello especial para você?

Sou um grande fã do Steve Angello, cresci escutando ele, vi ele tocar inúmeras vezes no Brasil entre 2008 e 2015, ele tocou muito na minha cidade e eu fazia de tudo, mesmo sem dinheiro, pra ir assistir.

Inclusive, tem uma história engraçada sobre isso: eu tinha herdado uns 12 mil reais da minha mãe quando ela faleceu, e no primeiro show do Swedish House Mafia em Florianópolis, acho que em 2011, já tinha dado sold out. Tive que usar parte desse dinheiro para conseguir um camarote de última hora, porque era a única opção que restava.

Na época, pra quem via de fora, foi o dinheiro mais mal gasto da história, sabendo que eu não tinha um background rico e um futuro incerto. Já pra mim, foi o investimento da minha vida, porque aquele show mudou tudo, mudou minha perspectiva, percepção e motivação inteira.

Foi depois de assistir aquilo que passei a sonhar ainda mais forte em ser quem eu sou hoje. Por isso, lançar lá é muito especial, e sabendo o quanto o Steve é criterioso com a gravadora dele, fico duplamente realizado.

De que forma “To The Beat” conversa com o momento artístico que você está vivendo e com os caminhos que vem construindo nos últimos meses?

Ela é uma música muito bem produzida, atemporal, até meio exótica, foge um pouco do que eu mesmo esperava de mim. Por isso, estou muito feliz com ela: é uma música que escuto e sinto orgulho, então faz todo sentido pra minha vida e carreira neste momento.

Antes da estreia pela Size, sua colaboração com o FEZZO, "Bad Choices", alcançou rapidamente o Top 1 do Beatport. Como você recebeu essa resposta tão rápida do público?

Achei incrível. A "Bad Choices" não só chegou ao Top 1 como segue indo muito bem nas plataformas digitais, o que superou nossa própria expectativa sobre a música. No fim das contas, a gente nunca tem certeza de nada nessa vida. O mais incrível é que em todos os lugares em que toquei aqui na América do Norte, eu vejo a galera cantando a música. Estou muito feliz, e já estamos nos preparando para trabalhar na próxima collab juntos.

Paralelamente ao lançamento, você tem uma agenda intensa de apresentações internacionais. Como essa turnê conversa com o momento artístico que você está vivendo?

Acho que as duas coisas fluem de forma natural juntas. É importante seguir relevante no nosso mercado e lançar em grandes gravadoras, mas essa engrenagem só funciona de forma adequada quando a gente está pelo mundo afora tocando, testando, aprendendo dia após dia. Então a agenda intensa, de certa forma, acaba complementando um trabalho que vem sendo feito em casa, no estúdio, além de ajudar a divulgar cada vez mais as novas músicas.

Você também lançou recentemente a No Signal Collective. Como surgiu esse projeto e qual é a proposta por trás dele?

A No Signal Collective é o início de um projeto de longo prazo, minha gravadora, que vou estruturando e crescendo aos poucos. A ideia é lançar músicas minhas que às vezes, por algum motivo, não têm espaço ou não fazem sentido em outras labels, até porque a nossa entrega por lançamento tem sido nível AAA, e também dar oportunidade para novos talentos nacionais crescerem junto.

A longo prazo, quero trazer artistas gringos pra lançar aqui no Brasil também. No começo, as músicas são em collab, além de somar ideias e experiência na produção, ajuda os novos talentos a terem um lançamento mais relevante e um pitching bom nas plataformas digitais, que a gente sabe o quanto faz diferença hoje em dia. Depois disso, eles seguem por conta própria.

Além do label, temos um planejamento de eventos que também dá oportunidade para quem lança na gravadora, ajudando a girar a engrenagem do nosso mercado de música eletrônica nacional, que precisa muito de um empurrão.

Os desafios são diversos, mas tenho certeza que com foco, constância e sem ansiedade vamos nos tornar uma gravadora relevante, que ajudará muitos nomes no Brasil e no mundo afora.

O que tem guiado suas escolhas criativas nesta fase da carreira? De que forma a No Signal faz parte desse processo?

Desde 2025, resolvi seguir uma linha sonora da qual eu sinta orgulho de verdade, sem ser influenciado por grandes gravadoras ou pelo que acham que eu deveria fazer. Hoje é difícil falar de gênero musical, porque tudo é um pouco de tudo e as coisas mudam cada vez mais rápido, mas estou seguindo uma linha mais pro bass house, com bastante energia e groove, que às vezes se confunde com tech house.

O principal é seguir a bússola que está dentro do meu coração: são as músicas que eu mesmo escolho tocar no meu set por vontade própria, não por serem minhas. Entre todos os releases, remixes e bootlegs que tenho disponíveis, escolher tocar as minhas novas produções e collabs de forma legítima e genuína é o mapa que sigo em tudo que faço na carreira. A criatividade vem e vai, o importante é se conectar com a intuição, saber o que é legítimo, e sentar a bunda na cadeira para criar.

Você acompanha a música eletrônica brasileira há bastante tempo e também vive de perto o mercado internacional. Como enxerga o momento atual da cena, e quais transformações mais chamam sua atenção?

O que mais me chama atenção é a quantidade de brasileiros fazendo sucesso mundo afora. Em 2022, quando comecei a fazer tours pelo mundo, tínhamos uns cinco ou seis DJs nacionais que todo mundo me perguntava sobre. Hoje eu preciso de uma folha pra lembrar de todos os artistas. temos mais de 20 fenômenos surgindo, cada vez mais gente sendo reconhecida internacionalmente.

Isso dá um orgulho imenso, sabendo das dificuldades que temos no país: como nosso mercado se criou na informalidade, como era difícil ter acesso à informação para aprender a produzir. Ver onde chegamos agora, o quanto evoluímos, é incrível. Em contrapartida, vejo o cenário nacional num momento muito delicado. Está cada vez mais difícil para produtores de eventos, clientes e fãs de música eletrônica: a crise econômica, a inflação, a alta do dólar dificultando trazer artistas gringos pro Brasil, os altos custos pra bancar um evento e todo o risco envolvido sem incentivo tornam nosso cenário muito complexo em várias camadas.

Não sei exatamente como vamos sair dessa, mas sei que vamos. O mercado encolheu um pouco também, a música eletrônica ainda não é a mais consumida no nosso país, mas tenho plena convicção de que é a música do futuro, que desperta frequências tão boas na nossa vida que ainda vai dominar o Brasil, e vamos crescer muito ainda como mercado.

Depois dessa sequência de lançamentos, da expansão da No Signal Collective e de mais uma turnê internacional, quais são os próximos passos que você pretende dar ao longo de 2026?

Constância é muito importante pra mim. Minha meta é lançar cada vez mais músicas relevantes, que façam meus fãs felizes, que façam as pessoas dançarem, que tragam novos fãs pro nosso mundo da música eletrônica, e que esses releases brilhem em meio a tantos lançamentos pelo mundo. Vou aumentar cada vez mais, tanto a gravadora quanto os eventos, para contribuir com os artistas do nosso país da melhor forma possível. Mesmo com os inúmeros desafios, vamos, como sempre, driblar eles e fazer acontecer.

Tenho grandes releases até o final deste ano: em agosto sai "Louboutin", pela Insomniac, uma das maiores gravadoras do mundo, principalmente nos Estados Unidos. Em setembro sai "Pop This", pela Catch & Release, a gravadora do FISHER, uma música que fãs aleatórios ao redor do mundo pedem praticamente todo dia, o que é um ótimo sinal. Também tenho uma collab com o duo Hills e o Voltech (produtor nacional que vem quebrando barreiras, e tive a honra de lançar o primeiro release da minha gravadora em collab com ele) que já tem viralizado.

Ou seja, muita coisa boa ainda pro segundo semestre deste ano. E, mais importante que tudo isso, quero evoluir como ser humano, me manter saudável, feliz, legítimo com minha vida. A caminhada é longa, mas sei que o melhor ainda nem chegou, então preciso estar motivado e preparado para minha melhor versão dia após dia.

Follow ÖWNBOSS on Instagram

Imagens: Divulgação

Load the next article
Loading...
Loading...